Gerardo Martínez, chefe da UOCRA e da CGT, alertou que o sindicato mobilizará fortemente se o governo de Javier Milei não garantir diálogo transparente sobre a reforma trabalhista. Embora busque acordos, a falta de negociação pode levar a conflitos. O líder criticou a inexperiência de funcionários como Federico Sturzenegger em assuntos trabalhistas.
Gerardo Martínez, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção da República (UOCRA) e líder na Confederação Geral do Trabalho (CGT), expressou preocupações com a reforma trabalhista promovida pelo governo de Javier Milei. Em declarações recentes, Martínez enfatizou a necessidade de garantias para discutir mudanças no sistema trabalhista, alertando que a falta de diálogo “fechará as portas para a paz social”.
Martínez indicou que a CGT está preparada para “mobilização e ações fortes” se não houver um canal real de negociação, embora o objetivo seja “chegar a acordos”. Ele criticou os funcionários que elaboram a reforma, como o Ministro de Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, por falta de conhecimento do mundo do trabalho: “O que eles propõem mostra que não sabem o que significa pagar um salário ou negociar um acordo coletivo. Eles podem vir das melhores universidades, mas não entendem a modalidade trabalhista na Argentina”.
O líder rejeitou noções como “salários dinâmicos” e enfatizou que a legitimidade de qualquer mudança requer diálogo social: “Se todas as portas forem fechadas para nós, usaremos todas as ferramentas para defender nossos direitos”. Ele vinculou o debate ao contexto econômico, observando que “cerca de vinte mil empresas” faliram nos últimos meses e que a abertura comercial causou “uma recessão significativa”. Ele também defendeu o papel histórico dos sindicatos e pediu renovação de liderança para envolver gerações mais jovens: “Há líderes muito velhos pensando com estratégias de vinte anos atrás. Precisamos falar com os que têm menos de quarenta anos”.
A reforma trabalhista, confirmada após a vitória legislativa de 2025, inclui propostas como extensão de horas de trabalho, pagamentos parcelados de sentenças trabalhistas, acordos específicos por empresa e aumentos salariais atrelados ao desempenho. Essa iniciativa revive elementos do DNU 70/2023, interrompido judicialmente, e da Lei das Bases. De acordo com o INDEC, a informalidade trabalhista atingiu 43,2% no segundo trimestre de 2025. Embora o governo afirme que visa formalizar o emprego, especialistas alertam que, em um contexto recessivo, ela não garante mais empregos e pode entrincheirar a informalidade estrutural. Em 2025, 12.259 PMEs foram perdidas até agora.