A Câmara dos Deputados aprovou com amplo apoio o projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Apoios e Cuidados, uma iniciativa chave do governo. A votação obteve 90 votos a favor e agora retorna ao Senado para revisão final. A ministra Javiera Toro destacou o trabalho legislativo colaborativo entre as câmaras.
Após as 17 horas, o plenário da Câmara dos Deputados votou o relatório da Comissão Mista sobre o projeto que reconhece o direito aos cuidados e cria o Sistema Nacional de Apoios e Cuidados. A iniciativa foi aprovada com 90 votos a favor, nenhum contra e 38 abstenções, principalmente de parlamentares republicanos, da UDI e RN. O texto agora retorna ao Senado para aprovação antes de se tornar lei. A Comissão Mista aprovou por unanimidade o papel de supervisão da Secretaria de Apoios e Cuidados e instituiu o Comitê Interministerial de Desenvolvimento Social, Família e Cuidados, juntamente com suas funções. Antes da votação, a ministra do Desenvolvimento Social e Família Javiera Toro (FA) enfatizou que apenas dois temas foram debatidos, indicando “um processo legislativo conduzido de forma séria, técnica, mas acima de tudo colaborativa entre ambas as câmaras, refletindo um acordo transversal sobre a necessidade de uma institucionalidade de cuidados coerente e eficaz”. Toro alertou que rejeitar essas disposições teria “consequências institucionais relevantes”, pois são essenciais para o funcionamento do sistema, já aprovado pelo Congresso. Durante as discussões, parlamentares de diversas afiliações políticas apoiaram o projeto, embora o deputado republicano Stephan Schubert tenha apresentado uma reserva de constitucionalidade. Schubert argumentou que a norma não especifica o acesso de crianças e adolescentes a programas de cuidados sem conhecimento e consentimento dos pais, o que poderia minar a autoridade parental e expor os menores. Ele também questionou os quóruns exigidos nos artigos 11 e 12 devido a discrepâncias entre o Senado e a Câmara. O projeto reconhece o direito aos cuidados como receber cuidados, fornecer cuidados e autocuidado. O Sistema Nacional de Apoios e Cuidados (SNAC) promove a autonomia, previne a dependência e obriga os órgãos estatais a aplicar princípios como a corresponsabilidade social e de gênero, o reconhecimento da família e a liberdade de consciência. Os beneficiários incluem crianças, pessoas com deficiência, idosos, dependentes e cuidadores remunerados ou não remunerados. A estrutura inclui um nível político com o Comitê Interministerial, um nível executivo sob o Ministério do Desenvolvimento Social e Família, e um nível de participação com o Conselho da Sociedade Civil para Apoios e Cuidados.