O 12º dia da COP30 em Belém terminou sem consenso, com o novo rascunho da decisão final removendo menções a um mapa para o fim dos combustíveis fósseis e ao plano de zerar o desmatamento. Cerca de 30 nações ameaçam bloquear o acordo, prolongando as negociações pelo fim de semana. Tensões aumentaram após um incêndio nos pavilhões e premiações satíricas da CAN.
A COP30, sediada em Belém desde 10 de novembro de 2025, enfrentou um impasse central no dia 21, originalmente previsto como o último. O rascunho apresentado pela presidência brasileira excluiu qualquer referência a um 'mapa do caminho' para transição longe dos combustíveis fósseis e ao compromisso de zerar o desmatamento, atendendo a pressões de produtores de petróleo como a Arábia Saudita.
Cerca de 30 países, majoritariamente latino-americanos, europeus e de pequenas ilhas, reagiram imediatamente, ameaçando vetar o texto final sem a reinclusão do tema. Como as decisões da COP exigem unanimidade, as negociações devem se estender pelo fim de semana, com risco de a conferência encerrar sem acordo. A estratégia brasileira de separar debates técnicos e políticos falhou em evitar divisões.
A tensão foi agravada por um incêndio no pavilhão principal na quinta-feira (20), que interrompeu as tratativas por seis horas em momento crítico. O fogo destruiu parte da estrutura na zona azul, área de negociações oficiais, e ampliou o desgaste entre a equipe negociadora e a Casa Civil, já marcado por falhas em infraestrutura, logística e segurança. A ONU enviou carta cobrando melhorias.
A rede de ONGs CAN anunciou os prêmios satíricos: o Fóssil Colossal para Arábia Saudita e União Europeia, acusadas de obstruir avanços, removendo referências científicas e enfraquecendo proteções humanas; a Rússia ganhou o Fóssil do Dia por obstrução sistemática; e a Colômbia recebeu o Raio da COP por liderança na agenda antifósseis.
Apesar dos problemas, a organização destacou que mecanismos de controle funcionam, como na operação da Polícia Federal contra empresas de segurança clandestina.