A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começou nesta segunda-feira (10) em Belém, no Pará, com discursos enfatizando a necessidade de implementar acordos anteriores. Apesar de desafios logísticos como alagamentos e filas, líderes como a ministra Marina Silva pediram uma 'pororoca da implementação' para ações concretas. Mais de 110 países apresentaram planos climáticos atualizados, mas emissões globais continuam subindo.
A COP30, sediada no Parque da Cidade em Belém, abriu em meio a um contexto desfavorável, com emissões de CO² atingindo recorde de 57,7 gigatoneladas em 2024, um aumento de 2,3% segundo relatório do Pnuma divulgado em 4 de novembro. O Acordo de Paris de 2015 visa limitar o aquecimento global a abaixo de 2°C, preferencialmente 1,5°C, mas análises da UNFCCC indicam que as 86 NDCs revisadas levariam a 2,8°C até 2100. Até a tarde do primeiro dia, 111 países haviam submetido suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), subindo de 64 em setembro, embora grandes poluidores como Índia, Irã e Arábia Saudita ainda faltem; os EUA se retiraram em janeiro sob Donald Trump.
No pavilhão brasileiro, inaugurado por volta das 18h, Marina Silva foi ovacionada e declarou: 'O nosso compromisso é de implementar aquilo que foi decidido. Nós já decidimos muita coisa ao longo desses quase 33 anos, mas infelizmente não temos implementação suficiente.' Ela pediu: 'Sejam bem-vindos! E que a gente possa, agora, fazer a pororoca da implementação.' A ministra elogiou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com US$ 5,5 bilhões arrecadados até 7 de novembro, e citou vítimas do tornado no Paraná como sinal de emergência climática.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou consensos com 194 países: 'Tudo é difícil numa COP... É maravilhoso podermos trazer todos para mergulhar nesse mundo estranho que é uma COP.' Sonia Guajajara celebrou 400 indígenas na zona azul e a Aldeia COP como 'coração da COP'. Ana Toni, CEO da conferência, afirmou: 'Esta é a COP da implementação. O Loss and Damage Fund começou a funcionar, com aporte de US$ 250 milhões.' No entanto, o dia foi marcado por alagamentos devido a temporal, filas em áreas de alimentação, falhas de energia e ar-condicionado em pavilhões, além de um incêndio controlado no aeroporto de Belém e protestos indígenas pela inclusão.
A pauta inclui indicadores de adaptação e financiamento, enfraquecido por protecionismos, mas o multilateralismo é visto como essencial para conter o aquecimento.