A Cop30 concluiu em Belém no sábado (22) com decisões sobre adaptação climática, financiamento e direitos indígenas, mas sem acordos para eliminar combustíveis fósseis ou desmatamento. A conferência, primeira no Brasil, atraiu participantes de mais de 190 países e revitalizou o patrimônio histórico da cidade. Apesar de frustrações, afetados pela crise climática destacam a importância de persistir no fórum.
A 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (Cop30) encerrou-se em Belém, no Pará, após quase 27 horas de atraso, no dia 22 de novembro de 2025. O evento, realizado entre 10 e 21 de novembro, reuniu representantes de 195 países signatários do Acordo de Paris e destacou avanços em áreas como adaptação e financiamento, embora tenha falhado em abordar a transição dos combustíveis fósseis, responsáveis por 75% das emissões de gases de efeito estufa.
A presidência brasileira, liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, propôs um mapa do caminho para reduzir a dependência de petróleo, carvão e gás natural, apoiado por cerca de 80 países como Colômbia e União Europeia. No entanto, resistência de nações lideradas pela Arábia Saudita excluiu o tema do texto final. Corrêa do Lago anunciou que elaborará o plano autonomamente como recomendação. Da mesma forma, uma proposta para eliminar o desmatamento até 2030, que responde por 10% das emissões globais, foi diluída, mencionando apenas esforços para deter a degradação florestal.
Avanços incluem 59 indicadores para medir a Meta Global de Adaptação, um grupo de trabalho até a Cop32 na Etiópia e o triplicar do financiamento para adaptação até 2035 em relação a 2025. O Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi lançado com US$ 6,7 bilhões de compromissos, de uma meta de US$ 125 bilhões, aportados por Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França e Portugal. Pela primeira vez, textos reconheceram direitos territoriais indígenas e o papel de afrodescendentes e mulheres negras na luta climática.
Belém lidou bem com a hospedagem, com 83% de ocupação hoteleira e 45% de imóveis não locados, segundo Tony Santiago, da ABIH-PA, e Maria Luísa Carneiro, do Creci-PA. Espaços como o Mercado de São Brás e o Complexo dos Mercedários foram revitalizados, injetando R$ 49,4 milhões no último. No entanto, protestos, um incêndio em 20 de novembro que suspendeu negociações e problemas de transporte, como engarrafamentos na zona verde, marcaram o evento. Afetados como Charles Xander Deluna, das Filipinas, e Michael Mwansa, da Zâmbia, insistem na Cop apesar das frustrações: "A libertação nunca pode vir sem luta", diz Mwansa.