Empresas geradoras de créditos de carbono no Brasil aguardam ansiosamente a regulamentação do mercado regulado em 2026, que pode destravar bilhões em negócios ao obrigar poluidoras a reduzirem emissões. O mercado voluntário já existe há 15 anos, mas o regulado, previsto para 2030, permitirá compensações de até 25% das emissões com créditos. Principais players como Carbonext e Re.green preparam projetos florestais e energéticos para atender à demanda crescente.
Mercado de carbono no Brasil ganha tração com regulamentação iminente
O mercado de créditos de carbono no Brasil está em expansão, impulsionado pela expectativa de regulamentação em 2026. Um crédito equivale a uma tonelada de carbono absorvido ou não emitido, criado em 1997 pelo Protocolo de Kyoto e reforçado pelo Acordo de Paris em 2015. No país, a geração mais comum ocorre via conservação florestal (REDD+), restauração de áreas degradadas e projetos de energia limpa como solar e eólica.
O mercado voluntário, ativo há 15 anos e com crescimento nos últimos seis, permite que empresas comprem créditos por iniciativa própria para compensar emissões. Já o regulado, instituído por lei em 2024 e operacional em 2030, imporá limites a setores poluidores, que poderão adquirir cotas ou créditos para cumprir metas. Em 2026, o Ministério da Fazenda definirá a porcentagem compensável — entre 10% e 25% — e os tipos de créditos aceitos, incluindo exportações internacionais.
Empresas como Carbonext (com Shell como acionista), Re.green (dos Moreira Salles e Armínio Fraga), Mombak (de Peter Fernandez), Systemica (ligada ao BTG) e Future Climate (com Luciano Huck) lideram o setor. Elas focam em garantir que seus projetos de restauração e conservação na Amazônia e Mata Atlântica sejam elegíveis. "O REDD+ é importante para o país como um todo", afirma Janaina Dallan, co-CEO da Carbonext, que planeja emitir 1,5 a 2 milhões de créditos em 2026.
Globalmente, 300 milhões de créditos foram gerados em 2024, com o Brasil responsável por 10-15%. O mercado movimentou US$ 500 milhões em contratos curtos em 2024, estimados em US$ 1,5 bilhão em 2025. No Brasil, de 2011 a 2025, 88,5 milhões de créditos florestais geraram US$ 588 milhões. Se 20% das emissões puderem ser compensadas, o Banco Mundial projeta R$ 14 bilhões em compras até 2040. Preços variam: US$ 1 para energia limpa, US$ 5,3 para conservação e US$ 15,5 para restauração em abril de 2025, podendo ultrapassar US$ 30 em contratos longos com big techs como Microsoft e Google.
"Certamente há um potencial para que o mercado regulado tenha um impacto no setor", diz Dan Harburg, da Mombak. Apesar de fraudes recentes em REDD+ reduzirem a demanda, ajustes nas metodologias restauram confiança. Empresas como Re.green e Mombak já firmaram contratos de longo prazo, financiados por BNDES com até R$ 500 milhões.