Cúpula COP30 em Belém aborda adaptação e finanças

A cúpula climática COP30 começa em 10 de novembro em Belém, Brasil, mudando o foco de novos acordos para a implementação dos existentes em meio a um progresso lento nas promessas de emissões. Iniciativas chave visam apoiar países vulneráveis, promover transições justas nas indústrias e impulsionar o financiamento climático por meio de fundos inovadores. Medidas de adaptação estão ganhando proeminência à medida que os impactos climáticos se intensificam.

A COP deste ano, que começa em 10 de novembro em Belém, Brasil, provavelmente não resultará em um novo grande acordo internacional para lidar com as mudanças climáticas; em vez disso, o foco estará em resolver os detalhes de como os acordos existentes funcionarão.

Os países deveriam ter submetido promessas atualizadas para corte de emissões, conhecidas como contribuições determinadas em nível nacional (NDCs), antes da cúpula. Apenas 67 dos 195 signatários do Acordo de Paris haviam atualizado seus planos até o final de outubro, com a União Europeia, que define metas climáticas como um bloco, e a Índia entre os atrasados. Enquanto isso, a retirada de Donald Trump do Acordo de Paris anulou efetivamente as metas dos EUA submetidas em dezembro de 2024 sob Joe Biden.

Em uma nota mais positiva, a China se comprometeu a reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em 7 a 10 por cento dos níveis de pico até 2035. Embora insuficiente para evitar o aquecimento global em 2°C, é um sinal de progresso como o primeiro objetivo absoluto de redução de emissões do país. “É um verdadeiro salto à frente do que vimos no passado – devemos vê-lo como positivo”, diz Manuel Pulgar-Vidal, líder global de clima e energia na WWF.

A adaptação às mudanças climáticas ocupa um lugar proeminente na agenda. O Brasil está promovendo o Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa, uma nova iniciativa para redefinir a transição mundial para energia limpa como fonte de empregos e crescimento em vez de dor econômica. A ideia é apoiar os países enquanto transformam setores específicos como energia, mineração ou agricultura. Espera-se que inclua compromissos, metas e sistemas para limpar indústrias e direcionar financiamento para comunidades afetadas pelas mudanças.

Com a realidade das mudanças climáticas mordendo, o foco da COP parece estar mudando para a adaptação às mudanças climáticas em vez de pará-la. “As COPs 1 a 29 aconteceram em uma realidade climática e agora estamos em uma nova. A consequência imediata é que temos que tornar as pessoas mais seguras”, diz Laurie Laybourn do think tank climático Strategic Climate Risks Initiative.

Outra iniciativa, o Objetivo Global de Adaptação (GGA), é a primeira tentativa de quantificar e comparar o quão vulneráveis os países são às mudanças climáticas. Espera-se que inclua cerca de 100 indicadores, como risco de inundações e segurança alimentar. O GGA deve ajudar o mundo a decidir quais países são priorizados para financiamento, então é um passo necessário para desbloquear finanças para aqueles que enfrentam os piores impactos. Mas os líderes mundiais não devem se envolver demais na adaptação em detrimento da mitigação, diz Laybourn. “Há um cenário em que a mitigação é empurrada para trás, mas isso é um beco sem saída, pois menos mitigação significa mais necessidades de adaptação, e ficaremos presos em um ciclo de destruição.”

Com as nações ricas falhando em entregar o financiamento necessário para ajudar as economias em desenvolvimento a se adaptarem e prevenir as mudanças climáticas, o Brasil espera colocar o financiamento de volta nos trilhos com a Rota de Baku a Belém. O objetivo é escalar o financiamento climático global para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.

Países de baixa renda estão pressionando por subsídios das nações mais ricas cujas altas emissões estão lentamente os afundando ou matando suas colheitas. Países mais ricos tentarão encontrar o dinheiro por meio de investimento privado, trocas de dívida, financiamento de bancos de desenvolvimento ou iniciativas de financiamento inovadoras como a Instalação de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

Espera-se que a TFFF seja lançada oficialmente na COP30 para financiar a proteção florestal por meio de investimento privado. O Brasil e outras nações garantirão o fundo com um investimento inicial para que ele possa então emprestar cerca de US$ 100 bilhões de grandes investidores privados a uma taxa de juros baixa. A TFFF então reinvestirá esse dinheiro emprestado em projetos sustentáveis com retornos mais altos e pagará os lucros diretamente para nações que protegem suas florestas.

O Brasil já investiu o primeiro bilhão de dólares, e o Banco Mundial anunciou no final de outubro que abrigaria o fundo. A TFFF poderia ser um novo modelo de conservação autossustentável que gera US$ 4 bilhões por ano para proteger as florestas encolhedoras do mundo.

Com poucos anúncios ambiciosos esperados na COP, há uma pressão crescente sobre a TFFF para ser um sucesso, mas ela precisará de apoio sério das nações, investindo dezenas de bilhões entre elas. “O lançamento da TFFF provavelmente será um ponto alto em um momento de negociações climáticas internacionais problemáticas e seu sucesso um sinal importante para os outros enquanto nos dirigimos para um futuro severamente disruptado pelo clima”, diz Simon Zadek na consultoria de financiamento climático suíça Morphosis.

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