O escritor Cory Doctorow sugeriu que os democratas do Congresso formem um Caucus de Nuremberg para documentar crimes da administração Trump e preparar julgamentos futuros. A iniciativa criaria uma plataforma pública para coleta de evidências, visando garantir prestação de contas e dissuadir abusos futuros. Doctorow argumenta que essa abordagem se inspira em exemplos históricos de punição a ações autoritárias em outras democracias.
Em um post recente no blog, Cory Doctorow, conhecido por cunhar o termo enshittification, delineou o conceito de um Caucus de Nuremberg como resposta ao que descreve como os crimes do regime Trump, incluindo corrupção, campos de concentração e execuções de civis americanos por forças federais. O caucus proposto serviria como uma plataforma voltada para o público onde os democratas poderiam compilar evidências como declarações, clipes de vídeo e ultrajes de funcionários de Trump e seus apoiadores. Cada peça de evidência receberia um número de exibição e anotações detalhando violações criminais e civis associadas. A plataforma também anunciaria datas de julgamentos após 20 de janeiro de 2029 e especificaria salas de tribunal para funcionários de todos os níveis. Doctorow enfatizou a necessidade de prestação de contas em democracias saudáveis, citando exemplos recentes: a sentença de prisão perpétua na Coreia do Sul para o ex-presidente Yoon Suk-yeol por sua tentativa de lei marcial em 2024, e penas de prisão longas para ex-presidentes no Peru e no Brasil por esforços de golpe. Ele criticou a decisão do ex-Procurador-Geral Merrick Garland de não acusar Trump prontamente por tentar anular a eleição de 2020, sugerindo que contribuiu para a situação atual. Em uma discussão por telefone, Doctorow afirmou: «Estamos falando de pessoas que violaram seu juramento de cargo. Elas são categoricamente inapropriadas para o serviço público e precisam ser mantidas longe das alavancas do poder.» Ele argumentou que o caucus poderia beneficiar politicamente os democratas ao focar a atenção em crimes específicos com evidências e listas de testemunhas, forçando os republicanos a uma posição defensiva. Além da política, Doctorow destacou efeitos dissuasórios, notando que a percepção de impunidade incentiva ações descaradas, como as atribuídas a funcionários como o Secretário de Defesa Pete Hegseth, a Procuradora-Geral Pam Bondi e a Secretária Kristi Noem. Ele sugeriu extensões como revisar fusões aprovadas por Trump, auditorias do IRS aos ricos e recompensas de US$ 1 milhão para oficiais do ICE que forneçam evidências de violações de direitos humanos por colegas. A ideia de Doctorow, detalhada em um artigo de Aaron Regunberg, poderia inspirar ações congressionais ou esforços não governamentais modelados em grupos como a Comissão para Justiça e Responsabilidade Internacional, que coleta evidências para casos de direitos humanos internacionais.