O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados da primeira edição do Enamed, exame que avalia a formação médica no Brasil. Cerca de um terço dos cursos avaliados obteve conceitos baixos, afetando quase 14 mil formandos. O presidente do CFM classificou o resultado como 'assustador'.
O Enamed, exame nacional obrigatório para estudantes do último ano de medicina, foi aplicado pela primeira vez em 2025 e teve seus resultados divulgados em 19 de janeiro de 2026. Dos 351 cursos avaliados, 107 obtiveram conceitos 1 ou 2 na escala de 1 a 5, o que significa que menos de 60% dos concluintes alcançaram proficiência mínima. Esses cursos pertencem a 97 instituições, majoritariamente privadas, concentradas nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.
Quase 14 mil formandos — precisamente 13.871 — saíram de instituições com notas baixas, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). O presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou: "São 13.871 mil graduados em medicina que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros."
O grupo educacional Afya, que lidera em aquisições de faculdades de medicina desde 2018, teve 13 de suas unidades com conceito 2, como o Centro Universitário de Araguaína (GO) e a Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna (BA). Em nota, o Afya questionou os resultados: "Os resultados do Enamed foram divulgados para as instituições no mês de dezembro pelo sistema e-MEC e indicavam que 70% das instituições da Afya haviam recebido notas de 3 a 5". A empresa alega que os dados foram alterados após estarem públicos inicialmente.
Outros grandes grupos, como Cogna, Yduqs, Ser Educacional e Ânima, também figuram na lista de baixas notas. O exame, aplicado pelo Inep, foca em competências clínicas, éticas e sociais, com 100 questões baseadas em casos práticos no SUS, priorizando situações reais como diagnósticos de diabetes, emergências cirúrgicas e saúde coletiva.
Como é a primeira edição, sanções serão gradativas: 21 instituições enfrentam monitoramento rigoroso, e oito podem ter suspensão de novos ingressos. Os cursos têm 30 dias para defesa administrativa. O MEC usa o Enamed para regular a qualidade da formação médica, que expandiu aceleradamente no setor privado sem critérios adequados, segundo o CFM.