A autora mexicana Laura Esquivel expressou sua discordância com a série da HBO baseada em seu romance 'Como agua para chocolate', produzida por Salma Hayek. Ela argumenta que a produção altera o foco original ao priorizar a Revolução Mexicana em vez da libertação feminina. Esquivel lamenta mudanças nos nomes dos personagens e uma representação que não corresponde à sua intenção.
Laura Esquivel, autora do romance de 1989 'Como agua para chocolate', revelou em entrevista ao Sin Embargo os motivos pelos quais não se identifica com a série da HBO que adapta sua obra. A história acompanha Tita de la Garza, uma personagem inspirada em figura real, ao longo de duas temporadas totalizando 12 episódios. A primeira temporada está disponível, enquanto os episódios restantes da segunda temporada estreiam em abril, como o terceiro em 4 de abril, o quarto em 11 de abril, o quinto em 18 de abril e o sexto em 25 de abril. Esquivel criticou a série como uma 'versão livre' que toma traços do texto, mas altera elementos fundamentais. Por exemplo, a personagem Chencha foi renomeada Nacha, considerada a original depreciativa. 'Há partes do romance, sim, mas não é mais uma tradução da minha obra ou da minha intenção', afirmou a escritora. Ela observou que a ênfase nos conflitos da Revolução Mexicana, como fugas e repressão militar, ofusca o tema central de libertação feminina. 'Eles recriaram mais da Revolução Mexicana, algo que nunca foi minha intenção; eu a situei naquele momento histórico precisamente para falar contra esse tipo de mudança', explicou. O romance explora três mulheres: a mais velha mantendo o status quo, a segunda incorporando a luta feminista, e Tita transformando a cozinha em um espaço de poder e autonomia. 'E a posição de Tita é que, por tradição, ela não podia se casar, tinha que cuidar da mãe; era apenas um objeto da mãe, nascida para isso. Na segunda parte, ela se torna um sujeito com decisões', acrescentou. Quanto a Mamá Elena, Esquivel a vê como símbolo de um sistema familiar repressivo, não apenas uma vilã. Enquanto isso, Andrés Baida, que interpreta Pedro Muzquiz, defendeu a mensagem da série. 'A verdadeira revolução começa das cozinhas (…) vendo como Tita revoluciona tudo de dentro e quebra essas tradições', disse ele em coletiva de imprensa relatada pela EFE. A série está disponível no HBO Max com assinatura.