Após alta surpreendente de 33% em 2025, o Ibovespa deve crescer mais em 2026, impulsionado por eleições presidenciais e cortes na taxa de juros. Especialistas preveem volatilidade, mas trajetória ascendente geral. Fatores internacionais e mudanças na política doméstica moldarão o mercado.
A Bolsa de Valores brasileira surpreendeu em 2025, com o Ibovespa subindo 33% de janeiro até 26 de dezembro, encerrando em 160.896 pontos. O índice renovou o recorde histórico 32 vezes, atingindo o pico de 164.455 pontos em 4 de dezembro. Isso superou as projeções de fim de 2024, que mediana apontava para 142.500 pontos, e o CDI acumulado de 13,75%.
Inicialmente, o pessimismo vinha de expectativas de juros altos, piora fiscal e dólar a R$ 6,20, com inflação podendo chegar a 7%. No entanto, a Selic subiu para 15%, a inflação ficou na meta do Banco Central, e o quadro fiscal não melhorou. A alta foi mais ligada ao exterior, com investidores estrangeiros diversificando dos EUA em meio às turbulências do governo Trump.
Para 2026, eleições e cortes de juros ditarão o ritmo. "As eleições presidenciais e o ciclo de cortes na taxa de juros vão dar as cores da economia do ano que vem", diz Gina Baccelli, estrategista do Itaú. Lula deve enfrentar opositor mais alinhado ao mercado, avesso a gastos públicos, com dívida em 78% do PIB.
A candidatura de Flávio Bolsonaro enfraqueceu Tarcísio de Freitas, levando ao "Flávio Day", com queda de 4% na Bolsa e alta de 2% no dólar. "Não há nenhuma certeza em ano eleitoral, exceto a de que haverá muita volatilidade", afirma João Daronco, da Suno Research.
Projeções são otimistas: Itaú vê 165 mil a 180 mil pontos, até 189 mil no melhor cenário; XP projeta 185 mil como justo, de 144 mil a 224 mil. A Selic deve cair para 12%, beneficiando a Bolsa, que subiu 39,2% em ciclos recentes de afrouxamento. A Bolsa está "barata", com P/L de 9 vezes, abaixo da média histórica de 11, contra 23 no S&P 500. "Estão negociando hoje em torno de nove vezes o lucro esperado para o ano", diz Matheus Amaral, do Inter.