Mery Cortez, mãe de Romario Veloz, testemunhou perante a Comissão de Direitos Humanos, Nacionalidade e Cidadania do Senado contra propostas de indultos presidenciais que beneficiariam o capitão José Santiago Faúndez, condenado pela morte de seu filho em 2019. Cortez descreveu o trauma revivido com essas propostas e questionou o presidente José Antonio Kast sobre o perdão às vítimas. O subsecretário Pablo Mira e o ministro da Justiça, Fernando Rabat, compareceram a parte da sessão de terça-feira.
A Comissão de Direitos Humanos, Nacionalidade e Cidadania do Senado reuniu-se na terça-feira para ouvir representantes de organizações sobre indultos presidenciais e solturas de condenados por violações de direitos humanos durante as agitações sociais de 2019. Mery Cortez falou remotamente, abordando o caso de seu filho Romario Veloz, de 26 anos, baleado fatalmente por militares do Exército durante um protesto em La Serena, em 20 de outubro de 2019. "Quando se fala em indultos, o trauma é revivido e parece que a vida de nossos entes queridos está sendo desvalorizada novamente", afirmou. O capitão José Santiago Faúndez Sepúlveda, condenado a 15 anos de prisão por violência desnecessária com resultado em morte e lesões graves — decisão mantida pela Suprema Corte —, estaria no topo da lista de indultos proposta pelo presidente José Antonio Kast. Cortez disse: "Dói na minha alma saber que um dos primeiros na possível lista de indultos é o assassino do meu filho". Também foram condenados o soldado Carlos Javier Robledo Olguín, a 10 anos, e o cabo José Andrés Arenas Macilla, a cinco anos. Cortez criticou Kast por tratar os indultos "como se fosse apenas mais um procedimento" e questionou: "Quem pediu perdão às vítimas? Quem pediu perdão às mães que tiveram que enterrar seus filhos?". Um indulto, acrescentou ela, "não apenas liberta os culpados, mas condena as vítimas ao esquecimento novamente".