Uma reportagem da revista The New Yorker explora como o fervor dos fãs brasileiros nas redes sociais impulsiona o sucesso de filmes nacionais no Oscar. O texto relaciona o fenômeno à vitória de 'Ainda Estou Aqui' no ano passado e às indicações de 'O Agente Secreto' este ano. No entanto, o filme recebeu críticas mistas, incluindo uma avaliação negativa em jornal espanhol.
A revista americana The New Yorker publicou na sexta-feira (20) uma reportagem de Michael Schulman intitulada "'Come to Brazil?' The Oscars Just Might", que analisa o impacto da torcida brasileira online no destaque do país no Oscar. O texto destaca como fãs encheram chats de transmissões com emojis da bandeira brasileira durante as indicações, apoiando 'O Agente Secreto', dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, que concorre em quatro categorias, incluindo melhor filme e melhor ator. Isso segue o sucesso de 'Ainda Estou Aqui', vencedor no ano passado, que gerou um clima de Copa do Mundo durante o Carnaval.
Schulman atribui o fenômeno à alta atividade brasileira nas redes sociais — o país é o terceiro maior usuário do TikTok, atrás dos EUA e Indonésia — e a uma cultura de fãs fervorosos. Ele entrevista jornalistas, críticos e o produtor Rodrigo Teixeira, de 'Ainda Estou Aqui', que comentam a força dos brasileiros em celebrar e criticar. Exemplos incluem a mobilização contra a atriz Karla Sofía Gascón, de 'Emilia Pérez', após ela sugerir prejuízo da equipe de Fernanda Torres, e contra o diretor Oliver Laxe, de 'Sirât', por chamar brasileiros de ufanistas.
O autor contextualiza historicamente, remetendo ao 'complexo de vira-lata' cunhado por Nelson Rodrigues nos anos 1950, sobre a busca por validação externa, comum no futebol e agora na cultura. Uma abertura para votantes internacionais veio após a campanha #OscarsSoWhite, aumentando indicações a obras estrangeiras.
Fernanda Torres elogiou a matéria nas redes: "Matéria maravilhosa sobre o cinema brasileiro, sobre o nosso poder nas redes, nossas crises, nossa relevância neste momento doido da humanidade e sobre o orgulho pátrio desta nação de caramelos".
Em contraste, 'O Agente Secreto' recebeu crítica negativa de Carlos Boyero no El País, na Espanha, onde estreou em 20 de fevereiro. Boyero chamou o filme de longo e pouco estimulante, questionando o enredo sobre um professor que foge de São Paulo e se esconde no Recife durante a ditadura. Ele admitiu presença na atuação de Moura, mas criticou pretensões estilísticas vazias. Apesar disso, o filme tem boa recepção geral, com vitórias no Globo de Ouro, Critics Choice e Cannes.