Paolo Rocca, presidente do Grupo Techint, publicou uma carta defendendo as ações da Tenaris após perder uma licitação para fornecer tubos para o gasoduto de Vaca Muerta. Após críticas do presidente Javier Milei, Rocca alertou sobre práticas de dumping de fornecedores indianos e seu impacto na indústria argentina. Ele enfatizou a necessidade de abrir a economia com proteções contra concorrência desleal.
Paolo Rocca, presidente do Grupo Techint, respondeu às críticas do governo de Javier Milei com uma carta publicada no La Nación, defendendo a posição da Tenaris na licitação para fornecer tubos de aço sem costura para o gasoduto que conecta Vaca Muerta à costa do Río Negro, um projeto chave para exportações de GNL. A Tenaris apresentou uma oferta inicial de US$2.090 por tonelada, mas, ao saber de uma proposta mais baixa da empresa indiana Welspun, igualou o preço, reduzindo sua oferta em 24% para preservar operações de longo prazo, embora não lucrativa para este contrato específico. Apesar disso, a licitação foi adjudicada à Welspun pela SESA. Rocca observou que essa perda representa cerca de 60% do volume anual do mercado argentino de tubos sem costura, em meio a preços inferiores aos de projetos anteriores devido a um contexto internacional diferente. Rocca enquadrou o caso na crise da indústria siderúrgica global, com excesso de capacidade impulsionado por políticas agressivas de países asiáticos que não seguem as regras do mercado. Ele listou barreiras comerciais nos Estados Unidos, Europa, México, Canadá, Brasil e Índia, como tarifas e cotas, para proteger setores estratégicos. Alertou que esses excedentes são desviados para países mais abertos como a Argentina a preços de dumping. Embora apoie a abertura econômica, Rocca insistiu que a Argentina deve se defender contra práticas desleais para oferecer previsibilidade aos investidores. Ele reconheceu os avanços do governo de Milei, incluindo inflação mais baixa, equilíbrio fiscal, risco-país reduzido e apoio internacional, destacando capital político para reformas estruturais. O Grupo Techint investiu US$1,4 bilhão em 2024, US$1,6 bilhão em 2025 e comprometeu US$2,4 bilhões para 2026. A Tenaris exporta 70% de sua produção de Campana. O confronto surgiu quando Milei acusou Rocca de conspirar contra seu governo após as eleições de Buenos Aires, chamando-o de 'Don Chatarrín' no X. Rocca havia questionado anteriormente a abertura indiscriminada de importações, especialmente da China, e em dezembro de 2025 reiterou a necessidade de combater sua concorrência, como fez Trump. Rocca concluiu reafirmando o compromisso da Techint com a Argentina: 'A construção de indústrias competitivas exige conhecimento, recursos humanos qualificados, inovação, investimento sustentado e muita determinação'.