Pilhas de sargassum atrasam filhotes de tartarugas marinhas em praias da Flórida

Acúmulos massivos de algas sargassum estão criando barreiras significativas para filhotes de tartarugas marinhas nas praias da Flórida, atrasando sua jornada ao oceano e aumentando riscos de predadores e calor. Um novo estudo da Florida Atlantic University examinou o impacto em três espécies comuns, revelando desacelerações substanciais sem esgotamento energético imediato. Os achados destacam a ameaça crescente à sobrevivência dos filhotes em meio a depósitos de algas em expansão.

Filhotes de tartarugas marinhas enfrentam um arrasto perigoso dos ninhos ao oceano nas praias da Flórida, navegando obstáculos como luzes artificiais, detritos e predadores. Pesquisas recentes destacam como o aumento de sargassum agrava esses desafios. Cientistas do Charles E. Schmidt College of Science da Florida Atlantic University estudaram filhotes de couro (Dermochelys coriacea), cabeçuda (Caretta caretta) e verde (Chelonia mydas) coletados em Juno Beach, Jupiter e Boca Raton.

Em experimentos controlados, pesquisadores montaram pistas de arrasto de 15 metros na areia, terminando com pilhas de sargassum de até 19 centímetros de altura — simulando condições naturais de praia. Uma luz fraca guiava os filhotes, imitando o brilho do oceano. Temperaturas da areia foram monitoradas durante todo o processo, e avaliações pós-arrasto incluíram níveis de glicose no sangue para uso de energia e capacidade de se endireitar na água para condição física.

O estudo, publicado no Journal of Coastal Research (2025; 41(6)), descobriu que o sargassum prolongou significativamente as jornadas dos filhotes. Tempos medianos aumentaram 54% para couros em sargassum leve (7-9 cm) e 158% em pesado; cabeçudas 91% e 175%; verdes 75% e 159%. Velocidades caíram notavelmente, especialmente para cabeçudas, com muitos filhotes lutando para escalar pilhas menores. Investidas frequentes — filhotes virando de costas — ocorreram, particularmente em algas mais pesadas, prolongando a exposição. Um filhote virou mais de 20 vezes em um teste.

Apesar dos atrasos, níveis de glicose no sangue permaneceram estáveis em todas as espécies e condições, sugerindo ausência de drenagem energética imediata das algas. Apenas couros em controle sem arrasto mostraram glicose mais alta, indicando o arrasto em si como o principal estressor de curto prazo.

"Quanto mais tempo um filhote fica na praia, maior o risco — não só de predadores como aves e caranguejos, mas também de superaquecimento e desidratação, especialmente após o nascer do sol", disse Sarah Milton, Ph.D., autora sênior e chefe do Departamento de Ciências Biológicas da FAU. Ela observou que pilhas acima de um metro, comuns nos verões do sul da Flórida, podem levar a mais falhas, especialmente através de múltiplas faixas de algas.

"Para filhotes de tartarugas marinhas, alcançar o oceano já é uma corrida contra o tempo — e a sobrevivência. Agora, tapetes cada vez maiores de sargassum adicionam novos desafios", acrescentou Milton. A pesquisa, coautoria de Abbey M. Appelt, clama por gerenciamento adaptativo de praias para proteger áreas de nidificação e incubação em meio à expansão do sargassum.

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