Físicos do National Institute of Standards and Technology calcularam com precisão como o tempo flui de forma diferente em Marte em comparação à Terra, mostrando que os relógios lá avançam 477 microssegundos mais rápido por dia em média. Essa variação, influenciada pela gravidade e órbitas, flutua até 226 microssegundos ao longo do ano marciano. As descobertas são vitais para navegação e comunicação futuras na exploração de Marte.
A teoria da relatividade de Albert Einstein prevê que o tempo passa em taxas diferentes dependendo de campos gravitacionais e movimento. Aplicando isso a Marte, os pesquisadores Bijunath Patla e Neil Ashby do NIST quantificaram a discrepância pela primeira vez. Seu estudo, publicado em dezembro de 2025 no The Astronomical Journal, revela que um relógio na superfície de Marte correria mais rápido que um na Terra devido à gravidade mais fraca do planeta vermelho —cerca de um quinto da da Terra— e sua órbita excêntrica ao redor do Sol.
A diferença diária média é de 477 microssegundos, mas varia significativamente. O caminho alongado de Marte e influências do Sol, Terra, Lua e outros corpos causam variações de até 226 microssegundos ao longo de seus 687 dias terrestres. Para comparação, o tempo na Lua avança de forma mais consistente 56 microssegundos por dia mais rápido que na Terra. Patla observou a complexidade: "Um problema de três corpos é extremamente complicado. Agora estamos lidando com quatro: o Sol, a Terra, a Lua e Marte. O trabalho pesado foi mais desafiador do que eu pensava inicialmente."
Essas lacunas de microssegundos podem parecer triviais, mas são críticas para tecnologias como equivalentes de GPS em Marte. As comunicações atuais Terra-Marte já enfrentam atrasos de 4 a 24 minutos, semelhantes às eras pré-telégrafo. Sincronização temporal poderia habilitar uma rede em escala do sistema solar. "Se você conseguir sincronização, será quase como comunicação em tempo real sem perda de informação," explicou Patla.
A pesquisa se baseia em um framework do NIST de 2024 para cronometragem lunar e testa a relatividade de novas maneiras. Ashby enfatizou seu valor a longo prazo: "Pode levar décadas até que a superfície de Marte seja coberta pelas trilhas de rovers errantes, mas é útil agora estudar as questões envolvidas em estabelecer sistemas de navegação em outros planetas e luas." Patla acrescentou que tal trabalho avança o entendimento fundamental: "É bom saber pela primeira vez o que está acontecendo com o tempo em Marte. Ninguém sabia disso antes. Melhora nosso conhecimento da própria teoria."
Enquanto a NASA visa missões mais profundas a Marte, esse "fuso horário de Marte" preciso estabelece as bases para coordenação interplanetária, potencialmente realizando visões de expansão do sistema solar.