Arqueólogos confirmaram que um esqueleto com ferimentos graves encontrado sob um convento em Budapeste pertence a Béla de Macsó, um duque húngaro do século XIII assassinado em uma luta pelo poder. Os restos, escavados em 1915 e redescobertos em 2018, revelam detalhes de um ataque brutal por múltiplos agressores. Análise forense moderna, incluindo DNA e reconstrução de lesões, alinha-se com registros históricos de seu assassinato na Ilha Margaret.
Em novembro de 1272, Béla de Macsó, um neto de 29 anos do Rei Béla IV, foi assassinado na Ilha Margaret no Rio Danúbio perto de Budapeste em meio a uma disputa pelo trono húngaro. Registros históricos da Áustria do século XIII o descrevem como "derrubado em um massacre miserável em uma ilha perto de Buda", com seus membros "cortados em pedaços" e recolhidos por sua irmã e tia.
O esqueleto foi desenterrado em 1915 durante escavações de um convento dominicano na ilha, construído pelo Rei Béla IV. Pesquisadores da época suspeitavam que eram os restos de Béla devido ao trauma evidente nos ossos, mas faltava tecnologia para confirmar. O esqueleto foi perdido durante a Segunda Guerra Mundial e redescoberto em 2018 em uma caixa de madeira no Museu Húngaro de História Natural, o que levou a uma análise renovada.
O exame forense revelou nove ferimentos na cabeça e no rosto e 17 no resto do corpo, todos infligidos no momento da morte. "Havia muitas mais ferimentos graves do que o necessário para matar alguém", diz Martin Trautmann na Universidade de Helsinque, na Finlândia. Usando um esqueleto modelo educacional, a equipe de Trautmann reconstruiu o ataque: dois ou três agressores se aproximaram pela frente e pelos lados, com Béla bloqueando golpes com os braços. Ele caiu, rachando o crânio, depois lutou usando a perna esquerda enquanto deitado de lado até ser esfaqueado através da coluna vertebral. Ferimentos adicionais na cabeça e no rosto se seguiram, possivelmente fatais, embora ele possa ter morrido desangrado. "Houve muito sangramento", observa Trautmann.
A datação por radiocarbono coloca a morte no meio do século XIII. A análise de placa dentária indica uma dieta luxuosa de semolina de trigo cozida e pão de trigo assado. O DNA confirma Béla como descendente de quarta geração do Rei Béla III e parente de oitava geração do príncipe russo Dmitry Alexandrovich do século XIII. Marcadores genéticos mostram origens do Mediterrâneo Oriental pelo lado da mãe e escandinavas pelo lado do pai, com traços físicos incluindo pele escura, cabelo escuro cacheado e olhos castanhos claros.
O estudo ilumina um evento histórico escasso, diz o historiador medieval independente Tamás Kádár em Budapeste. "O fato de seu corpo ter sido despedaçado, e talvez até mutilado ainda mais após a morte, indica sem dúvida grande hostilidade e ódio", afirma Kádár. "O objetivo principal era matar Béla, eliminá-lo. O objetivo principal era sua morte rápida e certa."