Um novo mapeamento 3D da principal pedreira de estátuas da Ilha de Páscoa indica que os icônicos moai provavelmente foram esculpidos por pequenos grupos comunitários independentes, em vez de sob uma autoridade centralizada. Pesquisadores usaram drones para documentar áreas de trabalho distintas no local. Isso desafia visões tradicionais da estrutura política da ilha e do declínio societal.
A Ilha de Páscoa, conhecida como Rapa Nui e localizada no Oceano Pacífico, tem sido habitada por navegadores polinésios desde cerca de 1200 d.C. As centenas de enormes estátuas de pedra da ilha, chamadas moai, há muito intrigam arqueólogos quanto à sua criação e à organização da sociedade. Evidências arqueológicas sugerem que o povo Rapa Nui não era politicamente unificado, mas o debate persiste sobre se a produção de moai era coordenada por uma autoridade central.
A única pedreira da ilha para a rocha vulcânica usada nos moai, Rano Raraku, abriga muitas estátuas inacabadas. Carl Lipo, da Universidade de Binghamton em Nova York, liderou uma equipe que utilizou drones e ferramentas avançadas de mapeamento para produzir o primeiro mapa 3D detalhado do local. Sua pesquisa identificou 426 características de moai em vários estágios de conclusão, 341 valas delineando blocos para escultura, 133 vazios de estátuas removidas com sucesso e cinco pinos provavelmente usados para baixar moai por encostas.
Notavelmente, a pedreira se divide em 30 áreas de trabalho separadas, cada uma com técnicas de escultura distintas, indicando operações independentes. A equipe de Lipo combinou isso com achados anteriores de que pequenas equipes podiam transportar moai e que grupos reivindicavam territórios separados em fontes de água doce. "A monumentalidade representa exibição competitiva entre comunidades pares em vez de mobilização de cima para baixo", afirmou Lipo.
Essa perspectiva reformula o debatido declínio da sociedade Rapa Nui. Alguns historiadores atribuem o desmatamento e o colapso à superexploração impulsionada por líderes centralizados, mas Lipo argumenta que a competição descentralizada afasta a culpa de tal autoridade. "Se a monumentalidade fosse descentralizada, e surgisse da competição em nível comunitário em vez de agrandamento chefal, então o desmatamento da ilha não poderia ser culpado por uma liderança megalomaníaca", disse ele.
No entanto, nem todos os especialistas concordam. Dale Simpson, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, reconhece a falta de um chefe supremo, ao contrário de lugares como Havaí ou Tonga, mas acredita que clãs interagiam mais de perto. "Eu só me pergunto se eles estão bebendo Kool-Aid demais e não pensando realmente nos fatores limitantes em um lugar pequeno como Rapa Nui, onde a pedra é rei e se você não interage e compartilha essa pedra, não pode esculpir moai só dentro de um clã", comentou Simpson.
Jo Anne Van Tilburg, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, vê as conclusões como prematuras, notando pesquisas em andamento sobre o uso de Rano Raraku. Os achados aparecem no PLOS One (DOI: 10.1371/journal.pone.0336251).