Um estudo recente mostra que as pessoas frequentemente subestimam a pegada ambiental da posse de animais de estimação, particularmente cães, enquanto superestimam ações mais simples como reciclagem. Liderado pela pesquisadora Danielle Goldwert e publicado na PNAS Nexus, os achados geraram reação negativa, com alguns vendo a cobertura da mídia como um ataque a animais de estimação queridos. A pesquisa destaca tensões entre escolhas pessoais e ação climática sistêmica.
A pesquisadora em psicologia ambiental Danielle Goldwert liderou um estudo publicado na revista PNAS Nexus, examinando como os indivíduos percebem o impacto climático de vários comportamentos. Os participantes compararam opções como adotar uma dieta vegana por um ano ou mudar para o transporte público contra decisões como não comprar ou adotar um cão. A equipe descobriu que as pessoas geralmente superestimam ações de baixo impacto, incluindo reciclagem e uso de eletrodomésticos eficientes, enquanto subestimam enormemente os efeitos de escolhas de alto impacto, como evitar a posse de cães.
O objetivo do estudo era determinar se fornecer informações climáticas poderia incentivar compromissos com ações mais eficazes. No entanto, um artigo da Associated Press intitulado “People often miscalculate climate choices, a study says. One surprise is owning a dog” reformulou a pesquisa, levando a uma reação negativa online. Usuários do Reddit reagiram com raiva, com um escrevendo: “A mudança climática é na verdade culpa sua porque você tem um cão.” Goldwert respondeu: “Se eu visse uma manchete que dissesse: ‘Cientistas do clima querem tirar seus cães’, eu também ficaria chateada. Eles definitivamente não querem. Você pode me citar nisso.”
Dados de apoio reforçam o problema: Um estudo da UCLA de 2017 indicou que cães e gatos representam 25 a 30 por cento do impacto ambiental do consumo de carne nos Estados Unidos, equivalente às emissões anuais de direção de 13,6 milhões de carros. A população de cães nos EUA cresceu de 52,9 milhões em 1996 para 89,7 milhões em 2024. Uma pesquisa do Pew Research de 2023 revelou que 97 por cento dos donos veem os animais de estimação como membros da família, com 51 por cento os equiparando a parentes humanos.
O experimento envolveu a classificação de 21 ações individuais e cinco sistêmicas, como votar. Após receberem informações sobre o impacto, os participantes se inclinaram para ações pessoais de maior impacto, mas relataram menor probabilidade para esforços coletivos, sugerindo um efeito de backlash. Goldwert observou: “Pode ser algo como uma substituição mental. As pessoas sentem: ‘OK, eu fiz minha parte individualmente. Eu meio que marquei a caixa de ação climática.’”
A cientista climática Kimberly Nicholas destacou a tensão contínua: “Ainda há uma tensão contínua entre mudança pessoal e sistêmica, ou ação individual e coletiva.” A autora do artigo, vegetariana de longa data, luta para alimentar sua mistura de husky Loki com ração à base de carne, defendendo ajustes como reduzir carne bovina nas dietas de pets enquanto enfatiza a alegria e laços emocionais na motivação climática.