Brandon LaRoque, um veterano de Raleigh, na Carolina do Norte, perdeu suas economias de uma vida, cerca de US$ 3 milhões em criptomoeda XRP, em um hack em outubro. Essa tragédia pessoal destaca riscos mais amplios na indústria cripto não regulada, que viu o presidente Donald Trump e sua família ganharem bilhões enquanto revertem regulamentações. Especialistas alertam que tal desregulamentação possibilita golpes e permite que interesses cripto influenciem a política.
Brandon LaRoque, um Eagle Scout e veterano que administrou o Goat Bar em Raleigh por 21 anos com sua esposa, tratava criptomoedas como poupança para a aposentadoria. Todos os dias após o trabalho, comprava XRP com dinheiro extra para evitar bancos, vendendo porções mensalmente para despesas como pagamentos de hipoteca. Em 15 de outubro, às 4 da manhã, descobriu sua carteira vazia: 1.210.000 XRP, no valor de cerca de US$ 3 milhões, haviam sumido. «Acordei minha esposa, literalmente em lágrimas», relatou LaRoque. Perdeu 5,4 kg na primeira semana devido ao estresse, vendo seus sonhos desaparecerem. A polícia local e o FBI ofereceram pouca ajuda, estimando menos de 1% de chance de recuperação. LaRoque, apoiador de Trump, criticou o envolvimento do presidente com cripto: «Não concordo com a Trump coin... Acho todas terríveis». Instou Trump a trabalhar com o Congresso por regulamentações mais seguras, notando que bancos oferecem suporte humano, ao contrário das criptos. Molly White, engenheira de software e autora de newsletter sobre interseções tech-finanças, explicou que criptos são ativos digitais especulativos propensos a volatilidade e golpes como 'rug pulls', onde criadores inflacionam e despejam tokens. Desde 2021, perdas totais somam quase US$ 80 bilhões, cifra conservadora incluindo pessoas comuns e instituições. Colapsos de alto perfil, como FTX em 2022 sob Sam Bankman-Fried, agora preso, destacam falta de proteções comparadas a depósitos bancários segurados. Trump, que já chamou bitcoin de 'golpe', mudou após posse. Sua família lançou World Liberty Financial (WLFI) em agosto de 2024 com parceiros como Zach Witkoff, filho do enviado de Trump Steve Witkoff. Ganharam centenas de milhões em vendas de tokens, levando 75%. Tokens oferecem pouca utilidade, parecendo servir para comprar favores. Justin Sun, enfrentando acusações de fraude da SEC, comprou US$ 75 milhões em tokens WLFI e ganhou cargo consultivo; seu processo foi pausado depois. Similarmente, contribuições multimilionárias da Coinbase precederam demissão de seu caso na SEC. A abordagem da administração desarma reguladores via ordens executivas, instalando insiders da indústria. Uma 'Reserva Estratégica de Bitcoin' mantém cripto apreendida para especulação, potencialmente criando fundo sem supervisão. Empresas cripto gastaram mais de US$ 150 milhões em eleições de 2024 via super PACs, influenciando corridas e mirando defensores de consumidores como Sen. Sherrod Brown, contra quem gastaram US$ 40 milhões para derrubá-lo. Planos para midterm de 2026 incluem compromissos de US$ 100 milhões para instalar legisladores pró-cripto. White comparou à adoção fracassada de bitcoin em El Salvador sob presidente Nayib Bukele, que desperdiçou fundos públicos e levou a roubos. Ela estima que família Trump ganhou bilhões, escalando conflitos onde o presidente lucra diretamente com desregulamentação, erodindo normas contra enriquecimento no cargo.