As tarifas do presidente Donald Trump sobre grãos de café verde, impostas em abril de 2025 e posteriormente isentas, causaram volatilidade de preços e incerteza para torrefadores de Montana. O torrefador sediado em Helena, Steven Ladefoged, descreveu flutuações semanais nos custos devido a negociações com vários países. Embora tenham surgido benefícios para outros setores, as medidas elevaram os preços no varejo e pressionaram os importadores.
Em abril de 2025, durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, foram aplicadas tarifas de 10% a 15% às importações de grãos de café verde, escalando para 50% em algumas origens. Essas medidas persistiram até meados de novembro de 2025, quando a Casa Branca isentou totalmente os grãos não torrados. No entanto, torrefadores como Steven Ladefoged em Helena continuaram a processar estoques pré-isenção, enfrentando desafios de custos contínuos. Ladefoged observou a imprevisibilidade: “Quando Trump estava originalmente negociando esses acordos, era quase semanal, dependendo dos acordos feitos com diferentes países… Havia muito, tipo, bens alimentícios importados, incluindo café, excluídos dessas tarifas também. E isso mudou drasticamente os preços.” As tarifas variaram por país, atingindo 50% para o Brasil, 46% para o Vietnã, 26% para a Índia e 32% para a Indonésia. Esforços para mitigar o impacto incluíram projetos de lei bipartidários. Os senadores Catherine Cortez Masto (D-Nevada) e Rand Paul (R-Kentucky) apresentaram legislação 18 dias antes da isenção de novembro. Na Câmara, os representantes Ro Khanna (D-Califórnia) e Don Bacon (R-Nebraska) propuseram uma medida similar em 19 de setembro de 2025, ganhando 11 co-patrocinadores, com Bacon como o único signatário republicano. A Suprema Corte dos EUA decidiu em 20 de fevereiro de 2026 que o presidente não tinha autoridade para as tarifas em vigor desde abril de 2025. Na época, o café verde estava isento há três meses, embora o café solúvel do Brasil enfrentasse uma taxa de 50% contínua. Novas tarifas seguiram em 24 de fevereiro de 2026, sujeitas a revisão congressional após 150 dias. Katie Bennett da Café Imports, uma atacadista de Minneapolis, explicou os ajustes de preços: “Nós incorporamos o custo da tarifa no preço por libra imediatamente. Quando foram removidas, removemos esses custos do nosso café. Então, no final, o torrefador estava pagando esse custo adicional, e cabia a eles decidir se repassavam para os consumidores.” Ela acrescentou: “Todo mundo bebe café, e ele não pode ser cultivado nos EUA.” Fatores agravantes incluíram escassez no Brasil causada por seca, elevando os preços dos grãos verdes em US$ 1,50 por libra para US$ 4,26 em fevereiro de 2025. O café moído torrado no varejo atingiu um recorde de US$ 9,37 por libra em janeiro de 2026, um aumento de 33% em relação ao ano anterior, segundo o Bureau of Labor Statistics dos EUA. A delegação republicana de Montana ofereceu visões mistas. O representante Troy Downing afirmou: “As tarifas do Presidente ampliaram o acesso ao mercado para produtores americanos, geraram bilhões em receita e precipitaram acordos comerciais históricos.” O representante Ryan Zinke destacou benefícios para a mina Sibanye-Stillwater via tarifas de 132% sobre paládio russo: “O Presidente Trump está usando tarifas direcionadas exatamente como pretendido para proteger trabalhadores americanos e fortalecer a indústria americana.” A porta-voz do senador Steve Daines, Gabby Wiggins, disse: “O senador Daines elogia o Presidente Trump por trabalhar para abordar desequilíbrios comerciais para fazendeiros, pecuaristas e fabricantes de Montana.” Por outro lado, o presidente da União de Fazendeiros de Montana, Walt Schweitzer, acolheu a decisão da Suprema Corte: “Isso é uma vitória para as fazendas e ranchos familiares de Montana e famílias americanas, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.” O Federal Reserve de Nova York estimou que empresas e consumidores dos EUA arcaram com 94% dos custos das tarifas.