Após semanas de tensões, o governo espanhol, a Conferência Episcopal e o Provedor de Justiça assinaram um protocolo na segunda-feira para melhorar as compensações às vítimas de abusos sexuais pelo clero. As negociações quase colapsaram no último sábado, mas a mediação do Vaticano por Pietro Parolin viabilizou o acordo. O sistema misto permite que vítimas anteriormente compensadas solicitem complementos, com a palavra final do Provedor de Justiça.
Em 8 de janeiro, o governo e a Igreja assinaram um acordo inicial para criar um sistema de reparação para vítimas de pedofilia quando a via judicial não for viável. Desde então, representantes do governo, da Igreja e do Provedor de Justiça reuniram-se de oito a dez vezes, segundo fontes próximas às negociações.
As tensões atingiram o ápice no sábado, 28 de março, quando "houve um momento em que tudo se rompeu", relatam fontes presentes. A Igreja tentou reverter elementos iniciais do pacto, como permitir que vítimas compensadas pelo PRIVA solicitassem mais e conceder ao Provedor de Justiça a palavra final. Isso significava compartilhar o controle do PRIVA com o Estado.
Félix Bolaños, Ministro da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes, buscou a mediação do Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin. Após uma reunião em 20 de março, Parolin pressionou por uma resolução antes da visita do Papa em junho. "A parte mais difícil foi não perder a paciência", disse o Provedor de Justiça Ángel Gabilondo.
O presidente da Conferência Episcopal, Luis Argüello, enfatizou o atendimento "face a face" sem tabelas fixas. O protocolo entra em vigor em 15 de abril, avaliando os casos individualmente. Bolaños esclareceu que todas as vítimas podem aderir, mesmo que tenham sido compensadas anteriormente.