O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, no dia 1º de maio, ter feito um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para abandonar a CPMI do caso Banco Master em troca da derrubada pelo Congresso do veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria, que reduz penas para condenados por tentativa de golpe, como Jair Bolsonaro. O fato ocorre após a recente derrubada de veto pelo Congresso, celebrada pelo relator Paulinho da Força como uma vitória contra o governo.
Flávio Bolsonaro repudiou tentativas de vinculá-lo a um acordo para bloquear a CPMI do caso Master, uma investigação conjunta do Congresso sobre as ligações de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. "O senador Flávio Bolsonaro repudia a tentativa de associá-lo a qualquer acordo para bloquear a CPMI do caso Master. É absurdo supor um entendimento com o [ministro do STF] Alexandre de Moraes, cujas decisões atingem diretamente Jair Bolsonaro e seus aliados", afirmou uma nota de sua equipe na sexta-feira (1º de maio), conforme relatado pela Folha de S.Paulo.
O projeto da dosimetria (PL), que teve o veto de Lula derrubado no mês passado, ajusta as diretrizes de condenação para reduzir penas de envolvidos em tramas golpistas, como os eventos de 8 de janeiro — o que poderia reduzir o tempo em regime fechado de Jair Bolsonaro. O pedido de CPI, liderado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) em 3 de fevereiro com 281 assinaturas, permanece estagnado. Relatos anteriores sugeriam que a liderança do Congresso condicionou a sessão de derrubada de veto ao arrefecimento da pressão pela CPI.
Alcolumbre havia anunciado a sessão conjunta do Congresso três semanas antes, coincidindo com a audiência de nomeação rejeitada de Jorge Messias para o STF em 29 de abril. A instalação da CPI poderia atrasar tais sessões e preservar vetos. Flávio culpou o PT: "Quem está impedindo a investigação é o Partido dos Trabalhadores, que não assinou a instalação da CPMI".
O relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), celebrou a derrubada do veto em um evento do Dia do Trabalhador organizado pela Força Sindical em São Paulo. "Foi bom. Um governo fraco é bom de derrotar", disse ele à coluna Painel da Folha, evitando um auditório que contava com aliados de Lula, como os ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, que criticaram a medida.