O think tank Anif alertou que a dívida líquida do Governo Central Nacional da Colômbia poderá exceder 71% do PIB em três anos, um limite incompatível com a regra fiscal. A organização identificou a rigidez dos gastos públicos como o principal problema fiscal da Colômbia. Os níveis atuais, próximos de 58% do PIB, remetem a crises do século XIX.
Em um relatório publicado em 4 de maio de 2026, a Anif observou que a dívida bruta do governo de Gustavo Petro cresceu US$ 313 bilhões diariamente. Os níveis atuais da dívida pública líquida, próximos de 58% do PIB, não eram vistos desde o final do século XIX, durante a Guerra dos Mil Dias, em meio a problemas de pagamento da dívida externa e hiperinflação.
"Projetamos que a dívida líquida do Governo Central Nacional poderá exceder 71% do PIB em apenas três anos, um patamar que, de acordo com a regra fiscal, é considerado incompatível com uma trajetória sustentável para uma economia como a da Colômbia", afirma o relatório da Anif.
A Anif atribui o problema fiscal à rigidez dos gastos públicos, expandida desde a Constituição de 1991. Entre 2019 e 2026, os gastos com saúde, pensões e transferências regionais representaram mais de 64% do aumento nas despesas operacionais. "Até mesmo os gastos operacionais do governo cresceram notavelmente acima dos gastos das famílias nos últimos anos. No entanto, esse crescimento não se traduziu em um desempenho econômico excepcional ou em melhorias substanciais nos indicadores de desigualdade", acrescenta a Anif.
Ainda assim, a Anif vê margem de manobra no poder executivo: o governo afirma que 8% do Orçamento Geral da Nação de 2026 é flexível, mas esse valor poderia chegar a 14% com decisões autônomas e até 28% incluindo pessoal e contratações.