O governo colombiano elevou o salário mínimo em 23% para 2026, superando os parâmetros técnicos de inflação e produtividade. Defendido como 'salário vital', a medida provocou um pico de inflação em janeiro e um custo fiscal adicional estimado em US$ 3,8 trilhões. Especialistas alertam para efeitos no emprego e nas finanças públicas.
O salário mínimo (SMMLV) na Colômbia aumentou 23% para 2026, de acordo com um relatório da Associação Nacional de Instituições Financeiras, representando um aumento real de 17,9%. Essa decisão, justificada pelo governo como uma aposta em um 'salário vital' proposto pela OIT, excede os parâmetros tradicionais de 5,1% de inflação mais crescimento da produtividade. nnOs impactos diretos incluem custos trabalhistas mais altos, afetando particularmente micro e pequenas empresas, que compõem 98% do tecido empresarial da Colômbia. Atrasos na contratação, aumento da informalidade e perdas potenciais de empregos em setores como agricultura, hospitalidade e serviços de alimentação são esperados. O Banco da República respondeu com um aumento de 100 pontos-base em sua taxa de intervenção para conter as pressões inflacionárias. nnEm janeiro de 2026, a taxa anual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atingiu 5,35%, com variação mensal de 1,18%, segundo o Dane. Esse rebote de 25 pontos-base em relação a dezembro de 2025 concentrou-se em serviços (72% do aumento), com altas na comida em restaurantes de 9,2% e trabalho doméstico de 10,8%. Anif e Itaú atribuem parte disso ao 'efeito de indexação' do ajuste salarial, embora um relatório mencione um aumento de 12%, contrastando com a cifra oficial de 23%. nnDo ponto de vista fiscal, o custo adicional para o Governo Geral Central é estimado em US$ 3,8 trilhões em comparação a um aumento técnico de 6%. Isso inclui US$ 3,1 trilhões em pensões do Colpensiones para mais de um milhão de aposentados e US$ 1,5 trilhão em anuidades vitalícias. O Comitê Autônomo da Regra Fiscal (CARF) projeta um total de US$ 5,3 trilhões em 2026, potencialmente US$ 8 trilhões em 2027, juntamente com uma queda de US$ 3,5 trilhões na arrecadação tributária. nnEmbora a medida vise impulsionar as rendas de lares vulneráveis, especialistas destacam riscos sem medidas compensatórias, em meio à rigidez fiscal.