O Centro de Pensamento Econômico do Anif alertou sobre os efeitos negativos do aumento de 23% no salário mínimo, que gerará um custo fiscal adicional de 3,8 trilhões de pesos para o Governo em 2026. Embora celebrado pela administração, essa medida elevará os custos trabalhistas e pode impulsionar a informalidade e a inflação. A entidade destaca impactos na folha de pagamento público, pensões e receitas tributárias.
O aumento de 23% no salário mínimo da Colômbia, decretado pelo governo, tem sido uma das decisões mais divulgadas da administração. No entanto, o Anif, um respeitado centro de análise econômica, estima que essa medida imporá um custo adicional de 3,8 trilhões de pesos nas despesas não constitucionais (GNC) em 2026. nnHistoricamente, os reajustes do salário mínimo superaram o crescimento combinado da inflação e da produtividade em uma média de 1,3 pontos percentuais. Desta vez, o aumento real é de 17,9%, com base na metodologia do salário vital e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ele afetará principalmente micro e pequenas empresas, que compõem 98% do tecido empresarial do país, ao elevar seus custos trabalhistas. nnSetores vulneráveis como agricultura, atividades artísticas, hospedagem e serviços de alimentação enfrentam riscos elevados de informalidade, pois seus salários giram em torno do mínimo. Pressões inflacionárias também são evidentes na demanda agregada, como mostrado pelo recente aumento de 100 pontos-base na taxa de intervenção do Banco da República. nnDo ponto de vista fiscal, o impacto é notável em meio a restrições orçamentárias. A folha de pagamento de cerca de 800 mil servidores públicos contratados diretamente subirá em aproximadamente 300 bilhões de pesos. Para as pensões, 55,4% dos afiliados à Colpensiones —mais de um milhão de pessoas— receberão ajustes pelo salário mínimo, adicionando 3,1 trilhões de pesos às despesas. O mecanismo de cobertura de deslizamento de rendas vitalícias saltará de 990,792 bilhões para 1,5 trilhão de pesos. nnO Anif também prevê uma queda de 3,5 trilhões de pesos na arrecadação do imposto de renda de pessoas jurídicas para o ano-calendário de 2026, devido a custos dedutíveis mais altos que erodem os lucros. 'Em um contexto de alta rigidez fiscal enfrentado pelo país, um aumento do salário mínimo dessa magnitude introduz rigidezes adicionais na inflexibilidade das despesas, reduzindo a margem de manobra do governo para saneamento das finanças públicas', concluiu a entidade. nnEsses efeitos destacam a necessidade de equilibrar políticas trabalhistas com sustentabilidade fiscal, particularmente com possíveis aumentos nos beneficiários do fundo de garantia mínima de decretos recentes.