O Banco de la República da Colômbia elevou sua taxa de intervenção em 100 pontos-base para 10,25% —a mais alta em mais de um ano— em sua primeira reunião do conselho de 2026, citando inflação persistente acima de 5% por quase seis meses e expectativas desancoradas devido ao aumento de 23,8% no salário mínimo decretado pelo governo do presidente Petro. A decisão, com voto dividido de 4-2-1, surpreendeu os mercados e recebeu críticas do governo por riscos de contração econômica.
O conselho do Banco de la República reuniu-se em 30 de janeiro de 2026, votando 4-2-1 para aumentar a taxa de intervenção de 9,25% para 10,25% —um aumento de 100 pontos-base, o primeiro ajuste para cima em sete meses e o maior desde dezembro de 2022. O gerente do banco, Leonardo Villar, atribuiu a ação a expectativas de inflação desancoradas, com as projeções medianas dos analistas subindo de 4,6% para 6,4% ao final de 2026 e as expectativas do mercado de dívida superando 6% em dois anos. A inflação ficou em 5,1% em 2025, permanecendo acima da meta de 2%-4% por seis anos e sendo a terceira mais alta da região. O aumento segue o decreto do presidente Gustavo Petro de 29 de dezembro de 2025, que estabeleceu um aumento de 23,8% no salário mínimo para 2026 de $1.700.000 mensais, mais subsídio de transporte de $253.118 (totalizando $2 milhões), com custos para empregadores atingindo $2,9 milhões incluindo benefícios. Petro o chamou de 'salário vital familiar' para uma vida digna, mas excedeu as propostas dos empregadores (7,21%) e sindicatos (16%), bem como as recomendações técnicas da Lei 278 de 1996 para um aumento de dois dígitos baseado em inflação, produtividade e PIB. Os mercados ficaram surpresos: de 25 entidades pesquisadas, apenas a BBVA previu 10,25%; a maioria esperava 9,75% ou menos. O ministro da Fazenda, Germán Ávila, criticou a medida por elevar os custos de produção e contrair a economia em meio a uma demanda crescente, anunciando um corte de $500 no preço da gasolina (o dobro dos $300 planejados). Villar observou que as taxas TES já haviam subido mais de 200 pontos-base. Especialistas alertam que o aumento salarial arrisca alimentar a inflação, perdas de empregos formais em meio a 55,4% de informalidade (80% rural) e um ônus fiscal de $9 bilhões. A revalorização do peso não conteve a inflação de bens importados (um terço da cesta). O banco projeta crescimento do PIB de 2,9% para 2025 e busca ancorar a inflação até 2027 por meio de política restritiva. As tensões destacam a independência limitada do banco, com o presidente nomeando codiretores —diferente do banco central mais autônomo do Peru. Editoriais defendem o mandato constitucional do banco de preservar o poder de compra do peso contra o 'politiqueo econômico' do governo.