O Comitê Autônomo da Regra Fiscal (Carf) alerta que o recente aumento de 23% no salário mínimo para US$ 2 milhões —decretado em 30 de dezembro— pode custar US$ 5,3 trilhões em 2026 (0,3% do PIB), complicando a sustentabilidade fiscal. O ministro do Trabalho Antonio Sanguino anunciou planos para desindexar bens-chave do salário e oferecer alívio às PMEs para conter a inflação.
Como detalhado na cobertura inicial do Decreto 1469, o aumento de 23% segue negociações fracassadas na Comissão do Salário Mínimo e visa enfrentar a inflação em queda (para 5,2%), desemprego de 7% e crescimento de 2,9%. No entanto, o diretor técnico do Carf, Juan Sebastián Betancur Mora, destaca um aumento real de 18,5% —muito acima da média histórica de 1,2%—, projetando US$ 4,7 trilhões em custos de pensões e US$ 0,6 trilhão em salários públicos no próximo ano, mais déficits de US$ 8 trilhões a partir de 2027, incluindo perda de receita tributária. Impactos não quantificados afetam anuidades e contratos estatais.
Sanguino delineou um decreto para início de janeiro que desindexará 14 itens restantes (p. ex., moradias VIS/VIP) do salário —somando-se a 225 já desacoplados—, além de linhas de crédito, alívio fiscal para PMEs e repressão à especulação. Analistas alertam para o aumento da informalidade (56%) e custos para microempresas (aumento de 59,9% na mão de obra para 91,7% das firmas), com Jason Keene da Barclays notando que controles de preços podem desestabilizar os mercados em meio à queda de títulos em dólares.