Uma nova pesquisa mostra que a gordura visceral ao redor da cintura aumenta o risco de insuficiência cardíaca mais do que o IMC, mesmo entre as pessoas com peso normal. A inflamação é responsável por grande parte dessa ligação. As descobertas foram apresentadas na American Heart Association's EPI|Lifestyle Scientific Sessions 2026, em Boston.
Pesquisadores apresentaram resultados na American Heart Association's EPI|Lifestyle Scientific Sessions 2026, realizada em Boston de 17 a 20 de março, indicando que a obesidade central ou a gordura visceral aumenta o risco de insuficiência cardíaca independentemente do peso corporal total. O estudo, extraído do Jackson Heart Study, analisou dados de 1.998 adultos afro-americanos em Jackson, Mississippi, com idades entre 35 e 84 anos (média de 58), sendo 36% mulheres. Os participantes se inscreveram entre 2000 e 2004 sem insuficiência cardíaca e foram acompanhados por uma média de 6,9 anos até 31 de dezembro de 2016. Durante esse período, 112 desenvolveram insuficiência cardíaca. A circunferência da cintura e a relação cintura/altura mais altas se correlacionaram com o aumento do risco, enquanto o IMC não se correlacionou. Os exames de sangue para a proteína C-reativa de alta sensibilidade mostraram que a inflamação explicava cerca de um quarto a um terço da associação entre a gordura abdominal e a insuficiência cardíaca. Szu-Han Chen, autor principal e estudante de medicina da National Yang Ming Chiao Tung University, em Taiwan, declarou: Essa pesquisa nos ajuda a entender por que algumas pessoas desenvolvem insuficiência cardíaca apesar de terem um peso corporal aparentemente saudável. Ao monitorar o tamanho da cintura e a inflamação, os médicos poderão identificar mais cedo as pessoas com maior risco e se concentrar em estratégias de prevenção que poderiam reduzir a chance de insuficiência cardíaca antes do início dos sintomas". O trabalho foi conduzido pelo professor Hao-Min Cheng no Taipei Veterans General Hospital e na National Yang Ming Chiao Tung University. Sadiya S. Khan, M.D., M.Sc., FAHA, da Feinberg School of Medicine da Northwestern University, comentou: "Esse estudo destaca a importância da integração de medidas de adiposidade central, como a circunferência da cintura, nos cuidados preventivos de rotina". Os pesquisadores observaram limitações, incluindo a falta de dados sobre os subtipos de insuficiência cardíaca, e pediram mais estudos sobre o impacto da gordura visceral em tipos específicos e os possíveis benefícios da redução da inflamação.