Uma nova pesquisa realizada na Turquia mostra que homens com obesidade tendem a desenvolver mais gordura abdominal e estresse hepático, enquanto as mulheres apresentam níveis mais altos de inflamação e colesterol. Essas descobertas, apresentadas no Congresso Europeu sobre Obesidade em Istambul, destacam diferenças baseadas no sexo que podem orientar tratamentos personalizados. O estudo analisou pacientes tratados entre 2024 e 2025.
Uma equipe da Universidade Dokuz Eylul, em Esmirna, examinou 886 mulheres, com idade média de 45 anos, e 248 homens, com idade média de 41 anos, em sua Clínica de Obesidade. Os homens apresentaram um índice de massa corporal (IMC) mais elevado, de 37,5 kg/m², em comparação com 36 kg/m² das mulheres, além de circunferências da cintura maiores (120 cm contra 108 cm) e pressão arterial sistólica elevada (128 mmHg contra 122 mmHg). Eles também exibiram níveis mais altos de enzimas hepáticas ALT e GGT, triglicerídeos e creatinina, indicando potenciais problemas metabólicos e hepáticos, bem como uma maior quantidade de gordura visceral ao redor dos órgãos, associada a doenças cardíacas e metabólicas. As mulheres, por outro lado, apresentaram colesterol total elevado (215 mg/dL contra 203 mg/dL) e colesterol LDL (130 mg/dL contra 123 mg/dL). Marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa, a velocidade de hemossedimentação e a contagem de plaquetas, foram mais altos nas mulheres, sugerindo uma resposta imunológica mais forte influenciada por fatores como hormônios e genética. A autora principal, Dra. Zeynep Pekel, declarou: 'Nossas descobertas revelam diferenças intrigantes na forma como homens e mulheres respondem à obesidade. Elas mostram quão importante é a pesquisa específica por gênero'. Pekel acrescentou que fatores biológicos, incluindo o efeito do estrogênio no armazenamento de gordura e na atividade imunológica, explicam provavelmente esses padrões, com os homens sendo mais propensos ao acúmulo de gordura visceral. O estudo transversal possui limitações, incluindo o foco em adultos turcos, e requer validação em grupos maiores e mais diversos. Pekel observou: 'Ainda estamos no início e essas descobertas precisam ser confirmadas em outros grupos de pacientes'. A pesquisa foi apresentada como o resumo 1854 no Congresso Europeu sobre Obesidade em Istambul, realizado de 12 a 15 de maio.