Empresas chinesas de equipamentos elétricos estão intensificando sua presença no Brasil para competir no mercado de baterias, à medida que o país se prepara para sistemas de armazenamento em grande escala. Um leilão governamental previsto para este ano deve atrair investimentos bilionários, com foco em 2 GW de capacidade. Fabricantes como Sungrow e Huawei já remodelaram equipes e iniciaram contatos com potenciais clientes.
O Brasil está se preparando para a instalação de sistemas de armazenamento de energia em grande escala, impulsionado por leilões federais e pela demanda de empresas que buscam evitar altos custos de energia noturna. A Absae, associação do setor, projeta investimentos de R$ 45 bilhões até 2030 e R$ 77 bilhões até 2034. O leilão principal, organizado pelo Ministério de Minas e Energia, deve ocorrer possivelmente em abril, com demanda de 2 GW a partir de agosto de 2028, disponíveis por quatro horas diárias, movimentando R$ 13,9 bilhões.
Fabricantes chinesas como Sungrow, BYD, CATL, Huawei, Jinko, JA Solar, TBEA, Risen e Pylontech planejam participar apenas como fornecedoras de sistemas BESS, sem formar consórcios. Até início de fevereiro, a Sungrow contatou 37 empresas interessadas, a Huawei 30 e a TBEA 80. "Nós não participaremos de consórcio e acredito que nenhum fabricante vai, principalmente os chineses. A intenção é fazer parcerias com os players que vão participar do leilão e aí, eles ganhando, entrar com a nossa solução", disse Rodrigo Marchezini, diretor da Risen no Brasil.
A Risen, que vende painéis solares no país desde 2012, entregará seus primeiros sistemas de armazenamento de 20 MWh este mês. Globalmente, possui 6 GWh instalados. A Sungrow, líder mundial com 40 GWh instalados e 10 GWh na América Latina (principalmente no Chile), transferiu funcionários para focar no leilão. "Hoje, o nosso trabalho no Brasil é dar suporte a clientes que podem entrar no leilão; o foco é total nele", afirmou Mauro Basquera, diretor técnico da Sungrow na América Latina.
A Jinko criou uma equipe dedicada a baterias no ano passado, segundo Kaue Oliveira, diretor técnico no Brasil. A Huawei comercializou 400 MWh no país, com 100 MWh instalados, e firmou parceria com a prefeitura de São Paulo para baterias em garagens de 120 ônibus elétricos.
Os sistemas chineses custam US$ 73 por kWh, contra US$ 177 dos europeus e US$ 219 dos americanos, segundo a BloombergNEF. Em fevereiro, o imposto de importação subiu para 20%. "A China é um polo global de manufatura para tecnologias de transição energética, com a maior capacidade de produção e os menores custos", comentou Rafael Rabioglio, chefe da BloombergNEF na América Latina. Competidores incluem brasileiras como WEG e Moura, americanas como GE Vernova e Tesla, e a espanhola Ingeteam.