Na COP30 em Belém, Brasil, um compromisso liderado por Brasil, Itália, Japão e Índia pede o quadruplicar de combustíveis sustentáveis até 2035 para descarbonizar o transporte. Embora defensores vejam como caminho para energia mais limpa, críticos alertam para desmatamento, preços mais altos de alimentos e emissões aumentadas da produção de biocombustíveis. Pelo menos 23 países aderiram à iniciativa em meio a negociações em andamento.
A cúpula da COP30 em Belém, Brasil, concluiu suas sessões oficiais na sexta-feira sem um acordo final, mas um compromisso significativo de biocombustíveis ganhou tração. Liderado por Brasil, Itália, Japão e Índia, o compromisso urge expansão global rápida de combustíveis sustentáveis, visando um aumento quádruplo dos níveis de 2024 até 2035. Isso cobriria 10% da demanda de transporte rodoviário, 15% da aviação e 35% do transporte marítimo, de acordo com um relatório acompanhante da International Energy Agency.
Ao final da cúpula, 23 países haviam assinado, com delegados brasileiros colaborando com grupos industriais para incorporar linguagem pró-biocombustíveis no documento principal de resultados. O enviado especial do Brasil para a agricultura, Roberto Rodrigues, destacou o modelo do país em um painel: «América Latina, Sudeste Asiático, África — eles precisam melhorar sua eficiência, sua energia, e o Brasil tem um modelo para isso [em sua implementação de biocombustíveis]». No Brasil, os biocombustíveis representam cerca de um quarto dos combustíveis de transporte, principalmente etanol de cana-de-açúcar, e essa participação continua a crescer.
No entanto, os biocombustíveis, derivados principalmente de culturas alimentares como cana-de-açúcar, milho, soja, trigo, colza e óleo de palma, enfrentam críticas por seus custos ambientais e de segurança alimentar. A produção global cresceu nove vezes desde 2000, ocupando mais de 40 milhões de hectares — aproximadamente o tamanho do Paraguai —, com projeções sugerindo que culturas de biocombustíveis poderiam demandar terra equivalente à França até 2030. Uma análise indica que os biocombustíveis geram 16% mais emissões de CO2 do que combustíveis fósseis ao considerar mudanças indiretas no uso da terra, incluindo desmatamento.
Janet Ranganathan, do World Resources Institute, alertou: «Embora os países tenham razão em transitar para longe dos combustíveis fósseis, eles também precisam garantir que seus planos não desencadeiem consequências não intencionais, como mais desmatamento em casa ou no exterior». Ela observou implicações significativas para a terra sem salvaguardas. O cientista da University of Minnesota, Jason Hill, acrescentou que a contabilidade de emissões frequentemente exclui impactos diretos e indiretos, diluindo os efeitos reais: «A produção de biocombustíveis hoje já é uma má ideia. E dobrá-la [é] dobrar a aposta em um problema existente».
Picos de preços de alimentos são outra preocupação. Nos EUA, o Renewable Fuel Standard elevou os preços do milho em 30% e da soja e trigo em 20%, aumentando o uso de fertilizantes em até 8% e a degradação da água em 5%, com a intensidade de carbono do etanol de milho igual à da gasolina. A cientista de dados da University of Colorado Boulder, Ginni Braich, explicou: «Mandatos de biocombustíveis criam essencialmente uma demanda base que pode deixar as culturas alimentares de lado», potencialmente reduzindo a diversidade dietética e exacerbando vulnerabilidades. Ela chamou o impulso do Brasil de paradoxal dada sua postura de proteção florestal, rotulando-o como greenwashing.
O relatório da IEA sugere que políticas poderiam dobrar o uso global de biocombustíveis até 2035, mas a política nacional do Brasil supostamente omite cálculos completos de emissões, alimentando o debate sobre a verdadeira sustentabilidade.