Uma prima de Suzane von Richthofen registrou um boletim de ocorrência acusando-a de tomar posse indevida de bens do tio falecido, Miguel Abdalla Neto. O caso ocorre em meio a uma disputa pela herança estimada em R$ 5 milhões. Suzane, condenada pelo assassinato dos pais, está em regime aberto e pode enfrentar regressão de pena.
Duas semanas após a Polícia Civil de São Paulo abrir investigação sobre um furto na residência de Miguel Abdalla Neto, encontrado morto em 9 de janeiro de 2026 na zona sul da cidade, sua namorada e prima de Suzane von Richthofen, Carmem Silvia Gonzalez Magnani, registrou um boletim de ocorrência em 3 de fevereiro. O documento acusa Suzane de subtrair bens do espólio sem autorização judicial, conforme admitido por ela no inventário aberto na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro.
Suzane, que soldou o portão da casa para proteger os itens, alega ser a parente consanguínea mais próxima e, portanto, a inventariante da herança. Carmem, que viveu 14 anos em união estável com Abdalla Neto, contesta essa posição. Entre os bens listados estão um carro Subaru prata de 2021, uma lavadora de roupas, um sofá, uma poltrona e uma bolsa com documentos e dinheiro.
O 27º DP (Campo Belo) continuará a apuração iniciada em 20 de janeiro. Como Suzane está em regime aberto desde janeiro de 2023, após condenação a quase 40 anos de prisão em 2006 pelo assassinato dos pais em 2002, ela pode voltar ao semiaberto ou fechado. O advogado criminalista Gustavo Henrique Moreno Barbosa explica que o STJ não prevê regressão automática sem provas de autoria e materialidade. "Se verificada prova contundente, pode ser feita a regressão cautelar", afirma. Para configurar furto, é preciso demonstrar intenção de apropriação ilegal; caso contrário, se os bens foram retirados para preservação, não há crime.
Abdalla Neto, irmão de Marísia von Richthofen (mãe de Suzane), foi tutor de Andreas, irmão de Suzane, após o crime de 2002. A polícia aguarda laudos do IML para determinar a causa da morte do médico.