Vários países implementaram ou debateram medidas para limitar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais, citando impactos na saúde mental e privacidade. Na Argentina, especialistas enfatizam a necessidade de educação digital e regulamentações estruturais além de simples proibições. A questão envolve não apenas a proteção infantil, mas também o modelo de negócios baseado em dados das plataformas.
Em 2025 e 2026, países como a Austrália impuseram uma proibição total para menores de 16 anos, com multas para empresas que não verificarem a idade. A Espanha anunciou uma medida similar, enquanto França e Dinamarca avançam em limites, e a União Europeia debate uma 'maioridade digital'. Na Argentina, existem projetos legislativos nessa linha, dada a alta penetração de telas entre menores. Javier Pallero, analista de políticas tecnológicas, criticou as proibições por chegarem 'tarde demais'. 'Por anos não foi considerado uma urgência, e quando algo chega tarde e é legislado rapidamente, ideias ruins como verificação de idade são escolhidas', afirmou. Pallero alertou que as plataformas, baseadas na 'extração e exploração de dados pessoais', poderiam usar a verificação para coletar mais informações, como biometria, sem alterar seu modelo de negócios. Isso arrisca o anonimato na internet, essencial para buscas sensíveis ou críticas, e poderia transformar as empresas em 'uma espécie de registro civil' sob delegação estatal, especialmente em contextos autoritários. Silvina Casablancas, doutora em Pedagogia e especialista em Tecnologia Educacional, enfatizou o papel da escola como 'baluarte' para ensinar cidadania digital. Baseada em pesquisa da FLACSO sobre crianças de 9 a 12 anos, encontrou desigualdades em ferramentas de proteção, com nenhuma mencionando cidadania digital. 'A escola é o lugar ideal para fornecer ferramentas sobre como se proteger e crescer na sociedade digital', disse ela. Ela enfatizou o envolvimento familiar e o fomento ao pensamento crítico contra algoritmos e conteúdo tóxico, como discurso de ódio que afeta a identidade adolescente. Especialistas concordam que as restrições marcam um ponto de virada, mas sem educação crítica e regulamentações sobre proteção de dados e concorrência, as medidas serão apenas remendos. Famílias argentinas mostram preocupação, reconhecendo que abordagens anteriores não são mais suficientes.