Pesquisadores no Reino Unido estão iniciando um grande estudo para determinar se restringir o uso de redes sociais por adolescentes melhora sua saúde mental. O ensaio, envolvendo milhares de jovens de 12 a 15 anos, usará um app para limitar o tempo em plataformas como TikTok e Instagram. Resultados esperados para meados de 2027, em meio a apelos crescentes por proibições em países como a Austrália.
Um ensaio pioneiro conhecido como The IRL Trial está em andamento em Bradford, no Reino Unido, visando fornecer evidências claras sobre se reduzir o tempo nas redes sociais beneficia o bem-estar dos adolescentes. Liderado por Amy Orben da University of Cambridge e Dan Lewer do Bradford Centre for Health Data Science, o estudo recrutará cerca de 4.000 participantes de 12 a 15 anos de 10 escolas. Os participantes instalarão um app personalizado que monitora sua atividade em redes sociais. Para metade do grupo, o app imporá um limite de uma hora diária em apps como TikTok, Instagram e YouTube, excluindo serviços de mensagens como WhatsApp. Ele também imporá um toque de recolher das 21h às 7h. Essa intervenção reduz significativamente o uso, pois o tempo médio de tela para essa faixa etária é de cerca de três horas por dia, segundo Lewer. Para minimizar efeitos de pressão dos pares, a randomização ocorre por grupo de ano escolar —por exemplo, o ano 8 pode ser o controle enquanto o ano 9 enfrenta restrições—. O design incorporou feedback dos próprios adolescentes, que preferiram limites a proibições totais, como notou Lewer. O ensaio de seis semanas começará por volta de outubro, com coleta de dados sobre ansiedade, qualidade do sono, interações sociais, imagem corporal e frequência escolar. Diferente de estudos passados que dependiam de auto-relatos, este usará uso rastreado pelo app para precisão. Orben destacou a incerteza: «Há uma gama de evidências de que as redes sociais estão prejudicando crianças e adolescentes individuais, incluindo danos muito graves,» mas impactos em nível populacional permanecem incertos. Isso ocorre enquanto a Austrália baniu redes sociais para menores de 16 anos, e o Reino Unido considera medidas semelhantes. Um relatório recente do governo britânico enfatizou a escassez de evidências causais robustas ligando tecnologia digital à saúde mental juvenil. Especialistas como Pete Etchells da Bath Spa University enfatizam a necessidade de envolvimento da juventude: «As crianças absolutamente têm que fazer parte dessa conversa.» Margarita Panayiotou da University of Manchester acrescentou que os adolescentes valorizam redes sociais para autocompreensão, mas preocupam-se com perda de controle e cyberbullying, instando plataformas mais seguras via leis como a Online Safety Act 2023.