Centenas de delegados reúnem-se na sede das Nações Unidas em Nova York nesta semana para o Fórum Permanente sobre Questões Indígenas, o maior encontro de povos indígenas do mundo. O tema do fórum é garantir a saúde indígena no contexto de conflitos, abordando guerras, mudanças climáticas, extração de dados impulsionada por IA e barreiras de visto nos EUA. Especialistas destacam a interconexão entre saúde, terra e soberania para as comunidades indígenas.
Os delegados enfrentam um cenário global hostil ao se reunirem para o Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas (UNPFII). O evento, que ocorre nesta semana, concentra-se no tema “Garantir a saúde dos povos indígenas, inclusive no contexto de conflitos”. Os palestrantes enfatizam que as desigualdades na saúde indígena decorrem do colonialismo, das mudanças climáticas, dos conflitos armados e da militarização, que ameaçam terras e ecossistemas. A saúde, argumentam eles, não pode ser isolada do meio ambiente, dos direitos à terra e da soberania, relataram especialistas, incluindo Geoffrey Roth, descendente dos Standing Rock Sioux e ex-vice-presidente do UNPFII. Roth, presidente do conselho da Indigenous Determinants of Health Alliance, afirmou: “Não se pode separar a saúde humana da saúde do meio ambiente, ou da nossa cultura, ou da nossa língua”. Seu relatório descreve determinantes como posse de terra e governança para combater a desapropriação e a exclusão da tomada de decisões. A tribo Coquille Indian, no Oregon, adotou esses princípios, incorporando atividades tradicionais como viagens de pesca para idosos para melhorar o bem-estar físico e mental. Preocupações adicionais incluem os riscos da IA de extrativismo digital, capturando dados culturais sem consentimento, conforme alertado pela ex-presidente do UNPFII, Hindou Oumarou Ibrahim, do Chade. Lydia Jennings, do Dartmouth College, da tribo Pascua Yaqui e Huichol, defende a soberania de dados indígenas após descobrir que uma empresa de mineração usava indevidamente dados culturais. As recusas de visto sob a administração Trump dificultam a participação do Sul Global, com Mariana Kiimi Ortiz Flores, da Cultural Survival, observando recusas para representantes africanos e sul-americanos. Os impactos climáticos restringem a mobilidade nômade, como explicou Samante Anne, do povo Maasai, no Quênia: “A mobilidade tem tudo a ver com a nossa adaptação às mudanças climáticas”. Defensores também criticam o agrupamento feito pela ONU de povos indígenas com “comunidades locais” sob a sigla IPLCs, o que dilui direitos distintos, de acordo com uma declaração conjunta de 2023 dos principais órgãos indígenas da ONU.