Promotores federais acusaram quatro homens na terça-feira em um caso de corrupção envolvendo uma organização sem fins lucrativos contratada pela cidade de Nova York para administrar abrigos para sem-teto e migrantes. Um mandado de busca revisado pela The Associated Press também cita uma vereadora do Brooklyn e uma assessora de alto escalão da governadora Kathy Hochul, enquanto investigadores apuram se subornos ou propinas estavam ligados a verbas municipais.
Edouardo St. Fort, ex-sargento do Departamento de Polícia de Nova York, foi preso na terça-feira em Massachusetts e compareceu a um tribunal federal em Boston, onde foi liberado sob fiança, segundo a The Associated Press.
St. Fort é um dos quatro homens acusados em um caso de corrupção pública federal centrado na BHRAGS Home Care Corp., uma organização sem fins lucrativos sediada no Brooklyn que se expandiu da assistência médica domiciliar para serviços de abrigo a sem-teto e migrantes à medida que o sistema de abrigos da cidade de Nova York ficava sobrecarregado. Os promotores alegam que dois líderes da BHRAGS desviaram mais de US$ 1,3 milhão da organização e que dois subcontratados pagaram propinas e subornos em troca de contratos que somam milhões.
Os outros réus identificados pela AP são Roberto Samedy, diretor executivo da BHRAGS; Jean Ronald Tirelus, seu ex-presidente do conselho; e Miguel Jorge. A AP informou que Tirelus, Samedy e Jorge se declararam inocentes e foram liberados sob fiança.
De acordo com a AP, a denúncia descreve que a BHRAGS recebeu quase US$ 200 milhões em contratos do Departamento de Serviços aos Sem-Teto da cidade desde 2022. Os promotores alegam que Samedy e Tirelus desviaram dinheiro da organização, incluindo US$ 800 mil que haviam sido destinados a esforços de “crescimento econômico e habitação acessível” em bairros carentes do Brooklyn, e que receberam mais de US$ 200 mil em propinas e subornos.
Os investigadores também estão examinando se a vereadora da cidade de Nova York, Farah Louis, democrata do Brooklyn, e sua irmã Debbie Louis — que atua como secretária assistente de Hochul para assuntos intergovernamentais da cidade de Nova York — aceitaram subornos ligados à apropriação de fundos municipais para a BHRAGS, informou a AP, citando um mandado de busca assinado em 19 de março. O mandado também cita Edu Hermelyn, identificado pela AP como consultor político e marido da deputada estadual Rodneyse Bichotte Hermelyn, presidente do Partido Democrata do Brooklyn.
Nem Farah Louis nem Debbie Louis estavam entre os presos. Um porta-voz de Hochul confirmou à AP que Debbie Louis foi colocada em licença depois que o gabinete da governadora tomou conhecimento da investigação na semana passada.
A AP informou que o Departamento de Serviços Sociais da cidade de Nova York encaminhou preocupações às autoridades após levantar questões sobre pagamentos feitos à empresa de segurança de St. Fort, a Fort NYC Security. Os promotores disseram que os quatro réus trabalharam juntos para desviar fundos públicos de uma organização destinada a atender nova-iorquinos vulneráveis.
A existência do mandado de busca não significa necessariamente que os promotores apresentarão acusações contra as pessoas nele citadas; mandados são normalmente usados para coletar evidências depois que um juiz encontra causa provável para autorizar a busca, observou a AP.