O ex-oficial de Crime Intelligence Paul Scheepers foi condenado por fraude, lavagem de dinheiro e violações de leis de vigilância após um julgamento que durou mais de uma década. O caso, originado em seu trabalho de segurança privada não autorizado, marca as primeiras condenações desse tipo sob as regulamentações Psira e Rica no Western Cape. A sentença está marcada para 10 de abril, com promotores pedindo prisão.
Paul Scheepers, ex-oficial da unidade Crime Intelligence da África do Sul, enfrentou uma longa batalha judicial que começou com uma batida em 2015 em sua empresa em Cidade do Cabo, Eagle Eye Solutions. Em 30 de janeiro, no Bellville Specialised Commercial Crimes Court, ele foi condenado em múltiplas acusações após quase 11 anos de processo. nnAs acusações surgiram das atividades paralelas de Scheepers a partir de 2003, quando operou a Eagle Eye sem registro na Private Security Industry Regulatory Authority (Psira) ou aprovação do South African Police Service (SAPS). Os promotores provaram que ele não revelou seu emprego no SAPS ao fornecer serviços de vigilância, atuou como investigador privado não registrado, possuía um dispositivo ‘grabber’ sem isenção ministerial sob a Regulation of Interception of Communications Act (Rica) e lavou R$ 5,59 milhões em proventos ilícitos. nnEm 2010, a Eagle Eye garantiu um contrato para depurar celulares para o governo do Western Cape, então liderado pela premier DA Helen Zille. Esse acordo gerou controvérsia política em 2015, com o ANC acusando Zille de usar Scheepers para espionar o partido. Zille negou as alegações, afirmando: “Isso é uma mentira descarada. Não tem fundamento algum. Vi Scheepers uma vez, brevemente, quando entreguei meu celular a ele, e ele o devolveu à minha secretária depois. Nunca discuti espionagem ou vigilância com ele, e esse nunca foi seu mandato.” nnScheepers foi absolvido de algumas acusações de fraude relacionadas ao contrato de 2010, mas condenado em outras. O caso enfrentou obstáculos, incluindo tentativas fracassadas de invalidar o mandado de busca de 2015 e uma recusa bem-sucedida de magistrado. Ele encerrou sua defesa sem depor. nnA diretora de promotoria pública do Western Cape, Nicolette Bell, elogiou o resultado, observando: “O mau uso de autoridade policial, operações de segurança privada não autorizadas e posse ilegal de tecnologia de vigilância representam riscos graves à confiança pública e à segurança nacional.” Essas condenações históricas sob Psira e Rica destacam vulnerabilidades na regulação de atividades paralelas da polícia. O depoimento de Scheepers alegava laços de um oficial sênior com barões da droga, possivelmente implicando Jeremy Vearey, mas isso não alterou o curso do julgamento.