O influenciador Hytalo Santos detalhou em depoimento seus rendimentos mensais de 400 a 600 mil reais, vindos de publicidade e rifas, enquanto se defende de acusações de exploração sexual e pornografia infantil. Ele negou produzir conteúdo sexualizado, afirmando que os vídeos retratavam a rotina da periferia e o brega funk. Santos chorou ao lamentar ser visto como pedófilo pelas denúncias.
Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente, conhecido como Euro, estão presos desde agosto na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, Paraíba, após denúncias de produção e divulgação de vídeos com adolescentes. O caso ganhou repercussão quando o influenciador Felca criticou a adultização de menores na internet, levando o GAECO a pedir a prisão do casal em São Paulo, de onde foram transferidos para a Paraíba. A Justiça negou o pedido de soltura.
Em trechos de depoimentos exibidos pelo programa Fantástico no domingo (30/11), Hytalo revelou que seus ganhos variavam entre 400 e 600 mil reais por mês, provenientes de publicidade e rifas autorizadas, sem pagamentos das plataformas de vídeo. Ele afirmou não monitorar os milhares de comentários nos posts, que chegavam a 20 mil ou 30 mil, e que a maioria se baseava na 'força de cada personagem'.
Questionado sobre remuneração, Hytalo disse que ajudava os pais dos adolescentes voluntariamente, sem acordo formal: 'Os pais eram, mas não por obrigação, não por combinado, eu me sentia no direito de fazer por eles'. Ele negou qualquer conotação sexual nos vídeos, descrevendo-os como representações culturais da periferia entre Recife e João Pessoa: 'Eu nunca cheguei a gravar vídeos com cenas pornográficas nem com cunho sexual… para a gente que é da periferia é arte'.
O Ministério Público sustenta que adolescentes moravam com o casal em um condomínio em Bayeux, na Grande João Pessoa, e que o conteúdo configurava exploração. Além do processo criminal por tráfico de pessoas, exploração sexual e pornografia infantil, eles respondem a uma ação do Ministério Público do Trabalho por tráfico para exploração sexual e submissão de menores a condições degradantes.
Emocionado, Hytalo chorou ao falar do impacto: 'Eu não vou estar livre nunca mais do que fizeram com minha imagem. Onde eu chegar agora eu sou visto como pedófilo, eu sou visto como um abusador, como uma pessoa pervertida'. A defesa argumenta que os vídeos podem ser sensuais, mas não pornográficos: 'Eles podem ser vistos como sensuais, mas a lei não criminaliza o ato sensual… E a pornografia não está demonstrada', disse o advogado Sean Kombier Abib.