O projeto de lei de Reconstrução Nacional do presidente José Antonio Kast, apresentado ao Congresso nesta quarta-feira, inclui no artigo 8º um texto idêntico ao artigo 71T de 2024 de Boric sobre propriedade intelectual para IA, rejeitado pela Câmara dos Deputados. Associações de imprensa e televisão rejeitam a medida por permitir o uso massivo de obras sem autorização. A iniciativa faz parte de uma ambiciosa reforma econômica com apoio parcial da oposição.
O presidente José Antonio Kast assinou, ao lado do ministro das Finanças, Jorge Quiroz, o projeto de lei da megarreforma ou Plano de Reconstrução Nacional nesta quarta-feira, enviado à Câmara dos Deputados. A iniciativa abrange cinco eixos: competitividade tributária, emprego formal, facilitação regulatória, segurança jurídica e contenção de gastos públicos. Um ponto controverso é o artigo 8º, que replica literalmente o artigo 71T do projeto de lei de IA de Gabriel Boric de maio de 2024. Ele permite a 'reprodução, adaptação, distribuição ou comunicação pública' de obras publicadas sem remuneração ou autorização para análise de dados estatísticos em IA, desde que não seja uma exploração disfarçada. A proposta anterior foi rejeitada nas comissões e no plenário da Câmara em 2025, apesar de emendas que a limitavam à pesquisa científica. A Associação Nacional da Imprensa (ANP) e a Anatel expressaram rejeição. 'A proteção dos direitos autorais é uma condição de possibilidade para o livre exercício do jornalismo', afirmou José Tomás Santa María, presidente da ANP. Pablo Vidal, da Anatel, criticou o fato de a medida beneficiar empresas estrangeiras de IA em detrimento do conteúdo nacional. O governo defende a exceção para resolver ambiguidades jurídicas que dificultam o desenvolvimento da IA no Chile, de acordo com a apresentação de Quiroz. A oposição, incluindo o PC e a Frente Amplio, aponta falhas constitucionais e planeja recorrer ao Tribunal Constitucional, enquanto o PDG apoia a ideia de legislar.