Senadores da oposição criticaram o Plano Nacional de Reconstrução do presidente José Antonio Kast, rotulando-o de “contrarreforma tributária oculta” devido a cortes de impostos que desfinanciariam o Estado em até US$ 2,8 bilhões anualmente. Em uma reunião tensa no La Moneda, eles alertaram contra retrocessos nos direitos sociais. O projeto deve entrar no Congresso em 1º de abril.
O presidente José Antonio Kast anunciou no fim de semana o Plano Nacional de Reconstrução, um pacote de 40 medidas que inclui até 400 bilhões de pesos para o Fundo de Emergência Temporário, eliminação do IVA na habitação por 12 meses, isenção de impostos prediais para idosos, redução do imposto de primeira categoria de 27% para 23%, limites à gratuidade universitária para maiores de 30 anos e fortalecimento da cobrança do Crédito com Aval do Estado (CAE). O projeto está previsto para entrar no Congresso em 1º de abril, segundo o Executivo. A oposição reagiu rapidamente com críticas. O senador Daniel Núñez (PC) chamou-o de “contrarreforma tributária oculta”, afirmando que o Tesouro “deixaria de receber mais de US$ 2,8 bilhões por ano” e que ele “desfinancia o Estado de forma estrutural”. Ele acrescentou que “aumenta a desigualdade” e sugeriu dividi-lo para votação. O senador Juan Luis Castro (PS), após reunião com o ministro da Fazenda Jorge Quiroz e o ministro da Segpres José García, disse: “não estamos aqui para deixar as pessoas verem seus direitos retrocederem” e “é difícil entender fazer uma reforma tributária para baixar impostos, não aumentá-los, em tempos de necessidade”. Ele recordou que após o terremoto de 2010, Sebastián Piñera aumentou os impostos corporativos por três anos. Senadores como Diego Ibáñez (FA), Yasna Provoste (DC) e Iván Flores (DC) o apelidaram de “oportunismo” e um pretexto para beneficiar empresas enquanto cortam a gratuidade. Provoste afirmou: “Usar uma emergência social para avançar benefícios tributários [...] não é reconstrução, é oportunismo”. No dia 16 de março, líderes do bloco da oposição — Castro (PS), Loreto Carvajal (PPD), Provoste (DC), Ibáñez (FA) e Claudia Pascual (PC) — reuniram-se no La Moneda em uma sessão “tensa”, exigindo clareza fiscal e rejeitando retrocessos na semana de 40 horas, gratuidade e MEPCO.