Uma equipe de pesquisa liderada pelo imunologista André Veillette, da Université de Montréal, relata que o receptor imune SLAMF6 pode inibir as células T ao ser ativado por interações na própria superfície da célula T, um mecanismo que, segundo os autores, pode ajudar a explicar por que alguns pacientes não respondem — ou param de responder — a imunoterapias contra o câncer baseadas em pontos de controle (checkpoint). No mesmo estudo, os pesquisadores descrevem anticorpos monoclonais desenvolvidos para bloquear a autointeração do SLAMF6, o que aumentou a atividade das células T em testes de laboratório e fortaleceu as respostas antitumorais em experimentos com camundongos.
Cientistas liderados pelo Dr. André Veillette, professor de medicina na Université de Montréal e diretor no Montreal Clinical Research Institute (IRCM), afiliado à UdeM, identificaram o SLAMF6 como uma molécula inibitória capaz de conter a atividade antitumoral das células T.## Um mecanismo semelhante a um ponto de controle que não requer contato com a célula tumoralEm experimentos de laboratório, a equipe descobriu que o SLAMF6 pode inibir as células T sem a necessidade de se ligar a uma molécula em uma célula tumoral. Em vez disso, ele pode ser ativado por meio de interações SLAMF6–SLAMF6 na superfície da célula T, enviando sinais que enfraquecem a função de matar tumores, reduzem a produção de células T robustas de longa duração e aceleram a exaustão das células T — um estado imunológico no qual as células T tornam-se menos eficazes.As descobertas foram relatadas na revista Nature em um artigo intitulado “SLAMF6 as a drug-targetable suppressor of T cell immunity against cancer.”## Anticorpos que bloqueiam a autointeração do SLAMF6Para combater o sinal inibitório, os pesquisadores desenvolveram anticorpos monoclonais projetados para bloquear as interações SLAMF6–SLAMF6. Em experimentos usando células T humanas, os anticorpos aumentaram a ativação e foram associados a um número maior de células T resilientes e duradouras, além de menos células T exaustas. Em modelos com camundongos, a abordagem esteve ligada a respostas imunes antitumorais mais fortes.## Próximos passos e financiamentoOs pesquisadores afirmaram que pretendem avançar para ensaios clínicos de fase inicial para avaliar a segurança e a eficácia em pessoas com tumores sólidos ou cânceres no sangue.O trabalho relatado na Nature lista o apoio de diversos financiadores, incluindo os Canadian Institutes of Health Research e o Terry Fox Research Institute, além do Ministério da Economia e Inovação do Québec e a BioCanRx.