Com os Estados Unidos se preparando para marcar 250 anos de independência, um ensaio de opinião de 2 de janeiro de 2026 na The Nation argumenta que a mensagem antimonárquica e igualitária de Thomas Paine deve ser central nas comemorações do aniversário, apresentando-a como uma refutação ao poder político e econômico moderno concentrado entre elites.
Os Estados Unidos estão prestes a observar o 250º aniversário da independência em 2026, um marco que reviveu argumentos sobre como o país deve enquadrar sua história fundacional.
Em um ensaio de opinião de 2 de janeiro de 2026 na The Nation, o escritor John Nichols pede para tornar o semiquincentenário um “Ano de Thomas Paine”, apontando o panfletário da era revolucionária como símbolo de resistência popular tanto à monarquia quanto à riqueza concentrada. Nichols descreve Paine como uma figura que ajudou a reunir apoio pela independência e que mais tarde criticou o que via como poder elitista na América.
Nichols contrasta a política de Paine com o que retrata como movimentos contemporâneos que defendem “capitalismo sem freios”, nacionalismo cristão e outras formas de política nacionalista ou expansionista — rotulando-os como “tories” modernos e argumentando que ecoam o tipo de deferência à autoridade monárquica rejeitada pelos ativistas da era da independência.
O ensaio também recorre à linguagem da era fundacional para sublinhar uma teoria de governo enraizada na soberania popular, citando o pressuposto da Declaração de Independência de que os governos derivam “seus justos poderes do consentimento dos governados”, e que o povo pode mudar um governo que se torne destrutivo de seus direitos.
Nichols destaca os ataques de Paine à monarquia hereditária em Common Sense. Paine escreveu que as origens da realeza podiam frequentemente ser rastreadas à violência e ao saque, descrevendo o primeiro dos reis modernos como “nada melhor que o principal rufião de alguma gangue inquieta”. Na mesma obra, Paine também argumentou que “um homem honesto” valia mais que “todos os rufiões coroados que já viveram”.
Para apoiar um argumento mais amplo de que a geração fundadora temia privilégios entrincheirados, Nichols cita o posterior alerta de James Madison sobre corporações. Em uma carta de 1827 a James K. Paulding, Madison escreveu que empresas incorporadas “podem ser úteis em casos particulares”, mas “são no melhor dos casos um mal necessário apenas”, adicionando que “monopólios e perpetuidades” eram “objetos de justa abominação”.
O ensaio também invoca a carta de Thomas Jefferson de 1802 à Danbury Baptist Association, que contém a frase “muro de separação entre Igreja & Estado”, para argumentar contra esforços para definir os Estados Unidos como uma nação cristã.
Nichols conclui citando outra passagem de Common Sense na qual Paine exortava os leitores a se opor à opressão: “Ó vós que amais a humanidade! Vós que ousais opor-vos, não só à tirania, mas ao tirano, avançai!”. Nichols argumenta que a mensagem deve informar debates modernos sobre democracia, direitos e poder à medida que o país entra em seus próximos 250 anos.