Uma auditoria externa ordenada por Pedro Sánchez conclui que não há vestígios de financiamento ilegal nas contas em numerário do PSOE de 2017 a 2024. O relatório, preparado por dois especialistas ligados ao governo, valida o sistema de caixa do partido como coerente e verificável. No entanto, destaca despesas surpreendentes durante o mandato de José Luis Ábalos como chefe da Secretaria de Organização.
O presidente do Governo Pedro Sánchez anunciou a auditoria externa às contas do PSOE há seis meses, coincidindo com a demissão de Santos Cerdán como secretário de Organização após revelações da UCO sobre comissões em obras públicas. « Lançarei uma auditoria externa às contas do Partido Socialista », declarou Sánchez na altura.
O relatório, preparado pelo professor Félix Alberto Vega Borrego — candidato do Podemos ao CGPJ em 2018 — e César Martínez Sánchez — que serviu como chefe de gabinete na Secretaria de Estado dos Assuntos Económicos e G-20 de 2020 a 2023, e anteriormente aconselhou Manuela Carmena —, examina os pagamentos em numerário do partido totalizando 940.388 euros de 2017 a 2024. Segundo o documento, acedido por meios como a EFE e o El País, o sistema em numerário é « coerente, fechado e verificável »: todas as entradas provêm de origens bancárias ou ajustes de adiantamentos, e as saídas estão documentadas. 99% dos fundos entram via conta BBVA, com 1% de operações esporádicas como vendas de merchandising, sucata ou um prémio de lotaria de 1.000 euros.
No entanto, o relatório identifica despesas « surpreendentes » e « inadequadas » durante o mandato de Ábalos (2017-2021), quando a Secretaria de Organização recebeu 126.858 euros em numerário. Entre elas, uma refeição para nove comensais a 24 de dezembro de 2019 em Valência, menus infantis em duas ocasiões e recibos no restaurante de mariscos La Chalana — frequentado pelos investigados no caso Koldo. As despesas superiores a 60 euros por comensal representavam 4% a 25% anualmente. Outros exemplos incluem um « menu » de 332 euros em Madrid, 193,5 euros por um « menu do dia » em Aranda del Duero e 289,5 euros por três menus no El Lagar (96,50 euros por pessoa).
São referenciados locais invulgares, como um hotel em Paris, um restaurante em La Massana (Andorra) e faturas de Bruxelas e Bruges (Bélgica) em 2019. Os recibos incluem nomes como Ábalos (19.637 euros até 2019), Koldo García (11.291 euros, 2017-2019), o seu motorista Eduardo Cantos e, excepcionalmente, a ex-sogra de Ábalos. Alguns tickets mostram consumos sobrepostos em horários diferentes em restaurantes distintos, sem explicação evidente. Fontes do PSOE afirmam que Ábalos autorizava os reembolsos, geridos por Koldo.
O PSOE entregou estes dados ao Tribunal Supremo, onde o juiz Ismael Moreno investiga um processo secreto sobre possível branqueamento de capitais com numerário. Martínez Sánchez reconhece: « No total, passei mais de cinco anos a atuar como 'membro de gabinete' para governos progressistas. »