Estudiosos desafiam crenças populares sobre vikings

Especialistas em estudos escandinavos argumentam que muitas ideias comuns sobre vikings e paganismo nórdico provêm de fontes medievais posteriores, e não de registros originais. Essas noções foram remodeladas ao longo de séculos por escritores, políticos e artistas para se adequar a diversas agendas. A cultura pop moderna e grupos neopagãos continuam a perpetuar interpretações seletivas.

Roland Scheel, do Cluster of Excellence "Religion and Politics" da Universidade de Münster, explica que as crenças sobre vikings e paganismo nórdico antigo não podem ser confirmadas por métodos científicos modernos. "Elas se baseiam essencialmente em relatos escritos por eruditos cristãos na Alta Idade Média, mais de um século depois, pois, além de breves inscrições rúnicas, não foram preservados textos escritos do período original," afirma Scheel. A Era Viking vai do século VIII ao XI, mas as representações populares como aventureiros destemidos, guerreiros poderosos e navegadores habilidosos surgem de filmes, séries, videogames e exposições museais, e não de evidências diretas.

Os textos sobreviventes oferecem apenas "história memorizada," observa Scheel, atribuindo à sociedade escandinava pré-cristã uma cultura guerreira especial, papéis fortes para mulheres em comparação à Idade Média e liberdade de restrições religiosas. Essa visão positiva influencia grupos neopagãos que praticam o que consideram paganismo escandinavo autêntico, frequentemente se opondo a religiões monoteístas como o cristianismo. No entanto, essas interpretações minimizam a violência das incursões vikings, ao contrário das percepções das Cruzadas como coercitivas e brutais.

Ideias sobre vikings aparecem na cultura pop, na publicidade e em projetos como a Rota Cultural Viking do Conselho da Europa, que destaca o patrimônio viking como parte da identidade europeia. Scheel e Simon Hauke pesquisam como conceitos medievais do 'Norte pagão' evoluíram, desde a "Edda" do século XIII de Snorri Sturluson até as obras de Jacob Grimm e os discursos de Otto von Bismarck no século XIX. "O que é verdade para todos os períodos é estudar como as pessoas imaginavam o paganismo escandinavo em seu tempo específico e como buscavam transmitir essa imagem aos outros -- isso diz muito sobre seus objetivos e mentalidades," diz Scheel.

Historicamente, a mitologia nórdica foi mal utilizada pelo movimento Volk e pelos Nacional-Socialistas para ideologia racial, embora as recepções atuais variem amplamente. A ópera de Wagner "The Ring of the Nibelung" moldou imagens modernas de valquírias como guerreiras femininas, vistas em capas de álbuns de metal e cartas de Yu-Gi-Oh!, divergindo de fontes nórdicas antigas onde as valquírias serviam como seletoras de batalhas, amantes, garçonetes e interventoras em combates. Seu projeto, "Paganisations: Memorialised paganism as an element of Scandinavian and European identities," está ligado à conferência "Imagining Nordic Paganism: Cultural Memories and Scholarly Thought Since the Middle Ages," com especialistas como Jóhanna Katrín Friðriksdóttir de Oslo e Jonas Wellendorf de Berkeley.

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