Pesquisadores do Instituto de Oftalmologia Molecular e Clínica de Basileia relatam que uma triagem de alto rendimento de mais de 2.700 compostos em organoides da retina humana cultivados em laboratório identificou moléculas que melhoraram a sobrevivência dos fotorreceptores de cone — células essenciais para a visão nítida e colorida. A equipe associou o efeito protetor à inibição da caseína quinase 1 e afirma que os resultados também foram corroborados em um modelo de camundongo com degeneração retiniana.
Uma equipe de pesquisa liderada por Botond Roska no Instituto de Oftalmologia Molecular e Clínica de Basileia (IOB) identificou compostos e vias que podem ajudar a proteger os fotorreceptores de cone — células da retina necessárias para ler, reconhecer rostos e enxergar cores — contra a degeneração.
Triagem de milhares de compostos em modelos de retina humana
Para buscar potenciais moléculas protetoras, os pesquisadores testaram mais de 2.700 compostos em cerca de 20.000 organoides da retina humana, modelos de tecido cultivados em laboratório projetados para imitar as principais características da retina humana. A equipe marcou seletivamente as células de cone, permitindo rastrear sua sobrevivência ao longo do tempo enquanto expunha os organoides a condições de estresse controladas, destinadas a simular lesões relacionadas a doenças.
Os resultados da triagem apontaram tanto promessas quanto riscos. Algumas classes de compostos foram associadas a danos às células de cone, ressaltando a necessidade de avaliar a toxicidade retiniana juntamente com os potenciais benefícios. Outras moléculas melhoraram a sobrevivência dos cones no sistema de organoides.
Caseína quinase 1 surge como um alvo protetor
Em diferentes condições de estresse, a análise destacou consistentemente a caseína quinase 1 (CK1) como um mecanismo ligado à proteção dos cones. Os pesquisadores relataram que dois inibidores de quinase apresentaram efeitos protetores repetidos na sobrevivência dos cones nos organoides. De acordo com o resumo da pesquisa, esses benefícios também foram confirmados em um modelo de camundongo com degeneração retiniana, sugerindo que o mecanismo pode se estender além do sistema de organoides.
Publicação e divulgação de dados
As descobertas foram publicadas na revista Neuron em um artigo liderado pelos primeiros autores Stefan E. Spirig e Álvaro Herrero-Navarro. A equipe também divulgou um conjunto de dados descrevendo os compostos testados, seus alvos moleculares e seus efeitos medidos na sobrevivência dos cones, com o objetivo de apoiar trabalhos futuros sobre terapias destinadas a preservar a visão central e melhorar a avaliação sistemática da segurança retiniana.
Embora os resultados identifiquem moléculas semelhantes a medicamentos e um alvo biológico associado à melhor sobrevivência dos cones em modelos experimentais, o trabalho não estabelece um tratamento clínico e exigiria validação adicional antes de qualquer possível uso em pacientes.