Procurador do Estado enfrenta escrutínio por pagamentos atrasados no caso Fred Daniel

O gabinete do procurador do Estado na África do Sul atraiu críticas pela relutância em pagar ordens de custas totalizando cerca de R700.000 ao conservacionista Fred Daniel, após uma decisão judicial histórica contra a corrupção patrocinada pelo Estado. Este atraso, em meio a um recurso governamental de uma condenação em danos de R306 milhões, levou Daniel a executar penhoras de bens da Agência de Turismo e Parques de Mpumalanga. E-mails internos revelam pressão contínua para liquidar os pagamentos.

Em setembro de 2025, a Divisão de Gauteng do Tribunal Superior em Pretória concedeu ao conservacionista Fred Daniel R306 milhões em danos no processo número 34502/2010, decidindo que o ex-vice-presidente David Mabuza, falecido em julho de 2025, foi o principal arquiteto de um 'esquema de reivindicações de terras' patrocinado pelo Estado. O juiz Neil Tuchten descreveu as ações dos réus como a utilização como arma de mecanismos de aplicação da lei e regulatórios para perseguir Daniel. A sentença foi saudada como uma vitória histórica contra a corrupção, mas o governo anunciou sua intenção de recorrer no final de novembro de 2025. Os défices anteriores da Agência de Turismo e Parques de Mpumalanga (MTPA) afirmavam que o caso era 'inviável financeiramente', citando mais de R15 milhões em honorários legais. Apesar disso, o recurso prosseguiu. Em separado, Daniel obteve três ordens de custas totalizando cerca de R700.000, remontando a 2019, relativas a pedidos interlocutórios incluindo discovery e tentativas de recusa. E-mails internos do Departamento de Justiça e Desenvolvimento Constitucional mostram o procurador-geral interino Felix Mbeki a pressionar os procuradores do Estado Isaac Chowe e Simon Mosito, a 3 de fevereiro de 2026, por atualizações sobre os pagamentos, em meio a escrutínio mediático. Mbeki referiu contactos repetidos do advogado de Daniel desde agosto de 2025. A 26 de fevereiro de 2026, Mosito reconheceu o pagamento pendente e prometeu ação após resolução de problemas técnicos. A 5 de março, o assunto foi marcado para pagamento urgente. 'Durante seis meses, usaram todos os truques possíveis para não pagar as custas taxadas', disse Daniel a 6 de março de 2026. 'E de repente, é como se a barragem tivesse rompido. Os funcionários do governo estão a começar a cooperar.' Esperava-se o pagamento até 9 de março, mas a 11 de março ainda não se havia materializado, levando Daniel a avançar com a penhora de bens da MTPA, como veículos e mobiliário, selados pelo xerife de Mbombela a 19 de fevereiro. A condenação em danos aproxima-se agora de R400 milhões com juros e custas. Persistem perguntas sobre o financiamento e os motivos do recurso, dado o falecimento de Mabuza e as restrições financeiras da MTPA. A ministra Mmamoloko T Kubayi e o departamento não responderam aos pedidos de esclarecimento. 'Para o governo, não há diferença', declarou Daniel. 'Custa-lhes milhões levar a cabo o recurso, poderiam usar esses mesmos fundos para liquidar.'

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