Flor de algas tóxica no sul da Austrália representa ameaça global

Uma enorme floração de algas devastou a vida marinha no sul da Austrália nos últimos oito meses, matando cerca de um milhão de animais de mais de 550 espécies. Pesquisadores identificaram o culpado como Karenia cristata, uma espécie que produz uma toxina recém-descoberta que pode se espalhar pelo mundo. O evento, um dos mais destrutivos já registrados, levanta preocupações sobre ameaças emergentes aos oceanos globais.

Nos últimos oito meses, uma vasta floração de algas devastou mais de 20.000 quilômetros quadrados do ambiente marinho do sul da Austrália, resultando na morte de cerca de um milhão de animais de mais de 550 espécies e causando impactos generalizados na saúde humana. A floração, identificada como Karenia cristata, marca um dos maiores eventos de algas já registrados, afetando desde seadragons até tubarões-brancos e golfinhos.

Anteriormente conhecida apenas em duas localidades perto da África do Sul—onde causou mortes em massa de peixes em 1989 e meados dos anos 1990—e ao largo de Newfoundland, Canadá, K. cristata agora revelou uma nova toxina na classe das brevetoxinas. Esses compostos danificam nervos na vida marinha e brânquias de peixes, e representam riscos para humanos por inalação ou ingestão. Shauna Murray da University of Technology Sydney, parte da equipe de pesquisa, expressou preocupação internacional: “Sabemos que pode florescer em outros países do mundo. O que não sabíamos é que cristata produzia brevetoxinas e que poderia causar esses surtos de algas prejudiciais que são tão grandes e disruptivos e duram oito meses. Agora sabemos disso e, como sabemos que ocorre em outros lugares do mundo, sim, acho que é uma ameaça internacional.”

Entre quase 850 florações de algas marinhas letais relatadas globalmente de 1985 a 2025, este evento no sul da Austrália se destaca como um dos mais destrutivos e amplos. A floração começou durante uma severa onda de calor marinho com temperaturas da água do mar até 3°C acima do normal, mas se expandiu inesperadamente após maio de 2025, mesmo quando as águas esfriaram. Pesquisadores ligam o aumento das temperaturas globais e níveis de nutrientes ao aumento da frequência de florações, embora o gatilho exato permaneça incerto.

Christopher Keneally da University of Adelaide destacou as incertezas: “Há muito que se desconhece sobre como as toxinas específicas produzidas por esta espécie afetam os humanos.” Ele acrescentou que a ampla distribuição da espécie sugere que ela já pode estar presente em baixa abundância em muitas áreas costeiras ao redor do mundo, potencialmente proliferando com mares mais quentes e poluição por nutrientes urbanos. As descobertas, detalhadas em um preprint no bioRxiv (DOI: 10.1101/2025.10.31.685766), sublinham a necessidade urgente de monitoramento e pesquisa para mitigar surtos futuros.

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