Um novo quadro de cenários para o CMIP7 — o conjunto padronizado de trajetórias de emissões usado por muitos modeladores climáticos e citado nas avaliações do IPCC — conclui que a trajetória de emissões mais altas do CMIP6, SSP5-8.5 (e sua contraparte anterior, RCP8.5), tornou-se "implausível" devido às recentes tendências de custos de energia, desenvolvimentos nas políticas climáticas e padrões de emissões.
O cenário historicamente conhecido como RCP8.5 tem sido amplamente utilizado em pesquisas como um parâmetro de referência de alto nível para impactos climáticos e avaliações de risco. No entanto, a equipe que coordena os cenários para a próxima fase do Coupled Model Intercomparison Project (CMIP7) afirma que o nível de emissões muito altas do CMIP6 — representado pelo SSP5-8.5 e vinculado na literatura ao RCP8.5 — não atende mais aos seus critérios de plausibilidade.
No quadro do ScenarioMIP para o CMIP7, publicado em abril de 2026 na Geoscientific Model Development, os autores escrevem que os altos níveis de emissões do CMIP6 "tornaram-se implausíveis", citando tendências como a queda nos custos de energia renovável, o surgimento de políticas climáticas e as recentes tendências de emissões. Em vez de manter o SSP5-8.5 como o parâmetro de referência superior, o quadro estabelece um novo "Cenário de altas emissões" projetado para representar emissões "tão altas quanto se julga plausível", e espera-se que ele produza níveis de forçamento abaixo do SSP5-8.5.
A mudança visa atualizar os insumos de modelagem padronizados, em vez de declarar que resultados de aquecimento extremo sejam impossíveis. O artigo do ScenarioMIP observa que as críticas aumentaram com o tempo sobre a plausibilidade dos cenários mais extremos, e enquadra os cenários do CMIP7 como ferramentas para explorar uma gama de futuros — não como previsões do que acontecerá.