Os americanos mais jovens estão se voltando cada vez mais para criptomoedas e plataformas de apostas como Kalshi e Polymarket enquanto navegam por uma economia difícil marcada por um mercado de trabalho encolhido e escassez de moradias. Enquanto as gerações mais velhas desfrutam de estabilidade financeira, os jovens enfrentam barreiras para a posse de casa e formação de família. Essa mudança reflete uma crescente frustração com os caminhos tradicionais para a riqueza.
A economia dos EUA apresenta obstáculos significativos para as gerações mais jovens, com um mercado de trabalho em contração e perspectivas limitadas de posse de casa impulsionando muitos a buscar ganhos financeiros rápidos por meio de jogos de azar e criptomoedas. Plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam popularidade, permitindo que os usuários apostem em eventos cotidianos via smartphones. O setor de jogos de azar se tornou uma das indústrias de crescimento mais rápido, contribuindo notavelmente para o crescimento do PIB, de acordo com um relatório recente do Bureau of Labor Statistics. Apesar dessa tendência, o sentimento entre jovens homens está azedando. Uma pesquisa do Pew Research de agosto passado revelou que 47% dos homens com menos de 30 anos agora veem as apostas esportivas como prejudiciais à sociedade, ante 22% em 2022. Essa mudança destaca um descontentamento mais amplo em meio a pressões econômicas intensas. Um fator chave é a grave escassez de moradias, estimada em 15 a 20 milhões de unidades pelo Erdmann Housing Tracker. Os preços dispararam como resultado, levando 22% dos millennials a abandonar planos de compra de casa, segundo uma pesquisa da Bankrate. A escassez remonta aos anos 1970, quando as iniciações de moradias por milhão de pessoas caíram de 50.000 para cerca de 40.000 ao longo de três décadas, caindo para pouco mais de 21.000 após a Grande Crise Financeira. Americanos mais velhos, particularmente os baby boomers, contribuem para esses desafios opondo-se a novos desenvolvimentos. Um estudo da Universidade de Boston de 2018 sobre reuniões de zoneamento encontrou mais de 60% dos comentários contra novas moradias, com comentadores com idade média de 58 anos, enquanto o eleitor típico dos EUA tem mais de 50. A concentração de riqueza agrava a divisão: os 10% mais ricos das famílias representam mais da metade do gasto de consumo, impulsionado por hipotecas quitadas e cortes de impostos que favorecem os abastados. Economistas ligam isso a políticas como as tarifas de Trump e reduções no imposto de renda. Esse ambiente fomenta o que o analista Demitri Kofinas chama de 'niilismo financeiro', uma sensação de que o sistema beneficia os ricos e idosos. Kyla Scanlon disse à CNBC que os jovens americanos sentem que 'a escada econômica tradicional está cada vez mais fora de alcance', levando alguns a 'apenas apostar tudo'. O analista financeiro Michael Green argumenta que a verdadeira linha de pobreza para uma família de quatro chega perto de US$ 140.000 anuais — muito acima dos US$ 32.000 oficiais — devido ao aumento dos custos de moradia e cuidados infantis. Em uma entrevista com The National News Desk, Green observou que o estresse econômico impede a formação de famílias, gerando perguntas difíceis sobre a viabilidade da vida e criando raiva: 'Isso deixa as pessoas com raiva, e eu não os culpo'.